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JULIO 2016 N° 3 Volumen 6

A EXPERIÊNCIA DO MÉTODO CANGURU VIVENCIADA PELAS MÃES EM UMA MATERNIDADE PÚBLICA DE MACEIÓ/AL BRASIL

Sección: Originales

Cómo citar este artículo

Araujo AMG, Melo LS, Alves de Souza MEDC, Freitas MMSM, Lima MGL, Lessa RO. A experiência do método canguru vivenciada pelas mães em uma maternidade pública de maceió/al. Rev. iberoam. educ. investi. Enferm. 2016; 6(3):19-29.

Autores

1 Andreza Maria Gomes de Araujo, 1 Lizânia da Silva Melo, 2 María Eduarda Di Cavalcanti Alves de Souza, 1 María Mayara Sthephanne de Medeiros Freitas, 1 María das Graças Lopes Lima, 1 Rebeca de Oliveira Lessa

1 Acadêmica de enfermagem. Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas
(UNCISAL). Brasil.
2 Mestre em Nutrição e professora da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de
Alagoas (UNCISAL). Brasil.

Resumen

Introducción: el método canguro (MC) se define como un tipo de cuidado neonatal que involucra el contacto temprano piel con piel entre la madre y el recién nacido de bajo peso, de forma creciente, de manera que ambos sientan que es placentero y efectivo y permitiendo así una mayor participación de los padres en el cuidado de su recién nacido (1). El método se menciona como una es- trategia para aumentar la lactancia materna, la confianza en el cuidado del hijo y promover el establecimiento de vínculos y apego (2,3).

Objetivo: relatar la experiencia vivida por las madres en un programa de método canguro en una maternidad pública.

Método: estudio de campo descriptivo y exploratorio con enfoque cualitativo, que incluye la entrevista de 10 madres con niños en tratamiento en el método canguro, utilizando un cuestionario previamente preparado y entrevistas grabadas para el registro de los datos.

Resultados: se constata que el sentimiento predominante referido por las madres en el método canguro es la felicidad, destacando la mejora en la relación de afecto entre madre e hijo. Las madres expresan que no tienen suficiente conocimiento acerca de la im- portancia real del método canguro, resultando evidente la falta de conocimiento sobre el mismo. Por lo tanto, parece que, de acuerdo con los informes de las madres sobre lo que ha cambiado después de la experiencia en el método canguro, hay una mejora en la re- lación entre madre e hijo.

Conclusión: las madres con niños en tratamiento en el método canguro no son conscientes de la importancia real del método y su contribución a la reducción de la tasa de mortalidad infantil.

Palabras clave:

método madre-canguro ; Prematuro ; relaciones madre-hijo ; humanización de la atención ; recién nacido

Title:

The experience of kangaroo mother care method by mothers in a public maternity home in Maceió / Al, Brazil

Abstract:

Introduction: kangaroo mother care (KMC) is defined as a type of care involving early skin-to-skin contact between mother and low- weight newborn following an increasing pattern, so that they both feel this is pleasurable and effective, and allowing a higher invol- vement of parents in newborn care (1). This method is considered to be a strategy to increase breastfeeding and self-confidence in newborn care, and to promote bonds and attachment development (2,3).

Purpose: to report experiences of mothers in a kangaroo mother program in a public maternity home.

Methods: an exploratory descriptive field study using a qualitative approach and including interviews to 10 mothers of children being treated with kangaroo method. A previously developed questionnaire and recorded interviews were used for data analysis.

Results: the most prevalent feeling reported by mothers in kangaroo method was found to be happiness, with an improved emotional bond being noted between mother and child. Mothers report they do not have an adequate understanding of the real significance of kangaroo method, with lack of knowledge on the method being obvious. Thus, based on mothers' reports on changes observed after kangaroo method experience, an improved relationship between mother and child was observed.

Conclusion: mothers of children being treated with kangaroo method are not aware of the real significance of such method and its contribution to a reduced child mortality rate.

Keywords:

kangaroo-mother care method; Premature; mother-child bond; Humanization of care; newborn

Portugues

Título:

Una experiencia del método canguro experimentado por madres en una maternidad pública en Maceió / Al, Brasil

Resumo:

Introdução: o método canguru (MC) é definido como um tipo de assistência neonatal que implica o contato pele-a-pele precoce entre a mãe e o recém-nascido de baixo peso, de forma crescente e pelo tempo que ambos entenderem ser prazeroso e suficiente, permitindo, dessa forma, uma maior participação dos pais no cuidado ao seu recém-nascido (1). O método é mencionado como es- tratégia para o aumento da lactação materna, da confiança nos cuidados do filho e para favorecer o estabelecimento do vínculo e apego (2,3).

Objetivo: relatar a experiência vivenciada pelas mães inseridas no método canguru em uma maternidade pública

Método: estudo de campo descritivo e exploratório com abordagem qualitativa, que contou com a entrevista de 10 mães com filhos em tratamento no método canguru, sendo utilizado um questionário previamente elaborado e a gravação das entrevistas para registro dos relatos.

Resultados: verifica-se que o sentimento predominante referido pelas mães no método canguru é a felicidade, destacando-se a mel- hora na relação de afeto mãe-bebê. As mães expressam também não ter conhecimento suficiente sobre a real importância para o método canguru, ficando evidente que falta conhecimento sobre o conceito do mesmo. Assim, verifica-se que, de acordo com os re- latos das mães sobre o que mudou após a experiência vivida no método canguru, destaca-se a melhora na relação afeto mãe-bebê.

Conclusão: as mães com filho em tratamento no método canguru desconhecem a real importância do método e sua contribuição para a diminuição do índice de morbimortalidade infantil.

Palavras-chave:

método canguru; prematuro; relações mãe-filho; humanização da assistência; recém-nascido

INTRODUCCIÓN

O Método Canguru (MC), é definido como um tipo de assistência neonatal que implica o contato pele-a-pele precoce entre a mãe e o recém-nascido de baixo peso, de forma crescente e pelo tempo que ambos entenderem ser prazeroso e suficiente, permitindo, dessa forma, uma maior participação dos pais no cuidado ao seu recém-nascido (1).

O método é mencionado como estratégia para o aumento da lactação materna, da confiança nos cuidados do filho e para favorecer o estabelecimento do vínculo e apego (2,3).

O MC passou a fazer parte das diretrizes políticas de atenção à saúde dos bebês de baixo peso ao nascer e prematuros, estando in- cluído no Programa de Humanização do Pré-natal e Nascimento. Além disso, com a criação da portaria nº 1.683, de 12 de julho de 2007, o Ministério do Brasil aprovou as Normas de Orientação para a Implantação do Método Canguru (1).

O MC é dirigido aos bebês cujo peso ao nascer seja inferior ou igual a 2.000 g, adotando como critérios para elegibilidade desde bebê: não apresentar qualquer patologia, estar ganhando peso e ser capaz de coordenar os movimentos de sucção e deglutição, os critérios de elegibilidade das mães/família apontam para o compromisso e a disciplina, a motivação e a disponibilidade além de boas condições clinicas (4,5).

A proposta do Programa Canguru no contexto Brasileiro divide-se em três fases, segundo a Norma de Orientação para a Implantação do Método Canguru: quando o bebê encontra-se internado na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), no alojamento conjunto com a mãe e na alta hospitalar (6). Cada etapa requer subsídios que assegurem à puérpera e ao bebê condições para o aprimora- mento do vínculo, a promoção do aleitamento e a capacitação do profissional e da família no cuidado com o bebê (7).

Na UTIN, a norma determina que haja livre acesso e participação da família nos cuidados com o bebê, estímulo ao aleitamento ma- terno e o contato pele a pele progressivo, até a colocação do prematuro em “posição canguru”. Para tanto, geralmente as mães pas- sam a residir no alojamento conjunto da maternidade aguardando a alta do bebê para segunda fase (8). È de extrema importância que os profissionais de saúde acompanhem os pais na primeira visita, procurando apoia-los e informando-os sobre os equipamentos que cercam os recém-nascidos, incentivando o contato pele a pele, toque e fala (9). Cabe assinalar que essa rotina de serviço atende a um direito de cidadania, garantido pelo estatuto da criança e do adolescente (10).

Na segunda etapa, já no alojamento conjunto, a mãe amamenta e fornece os cuidados específicos ao bebê prematuro, ambos apoia- dos pelos profissionais do hospital (8). As mães são incentivadas a prestarem alguns cuidados básicos higiênicos e alimentares, de- pendendo da condição clínica do recém-nascido, bem como aumentar o contato visual, visando estimular os sentimentos de amor e carinho da mãe pela criança (11). Nessa etapa também, os enfermeiros das unidades neonatais e do banco de leite orientam e es- timulam as mães para a ordenha do leite materno que será processado e armazenado no banco de leite do hospital e depois oferecido ao bebê, visando, assim, a manutenção da amamentação materna (3).

Na última etapa, o bebê recebe alta com o peso mínimo de 1.600 g (variando de acordo com as normas da instituição), capacitado a sugar o seio, desde que tenha a condição de recorrer à unidade hospitalar em caso de urgência (8). Nesta perspectiva, a metodo- logia canguru ultrapassa o espaço da unidade neonatal e passa a ser realizada no próprio ambiente familiar, iniciando a etapa do canguru domiciliar (13).

Verifica-se que o tratamento da prematuridade é um processo longo e minucioso, visto que suas implicações não se resumem as complicações perinatais, mas continuam por muito tempo, exigindo cuidados especiais após a alta hospitalar do bebê, por isso, ex- tensão deste cuidado não pode acontecer sem o envolvimento familiar (13).

O longo período de internação dos bebês, a falta de oportunidade da mãe de interagir com o seu filho e a privação do ambiente aumentam o estresse da mãe e família, gerando desordens no relacionamento futuro de ambos, o que pode prejudicar o estabele- cimento do vínculo e apego. O fato de não poder pegar o bebê no colo e aconchegá-lo é bastante frustrante para a mãe, mesmo quando já é possível tocá-lo e acariciá-lo dentro da incubadora, muitas mães se amedrontam diante dessa situação. Nessa conjuntura, as equipes de enfermagem das unidades neonatais devem facilitar as oportunidades de contato precoce entre pais e bebês prema- turos, visando estabelecer o vínculo e apego, tendo em mente que esse é um processo gradual (3).

A assistência aos pais e a participação da família nos cuidados hospitalares desses neonatos tem sido prioridade nos serviços de neo- natologia. Assim, o relacionamento da equipe e clientela tem melhorado intensamente, havendo maior acolhimento de vínculo, sendo constatado pelo retorno voluntário das mães nas unidades neonatais a fim de mostrar o filho para os profissionais que dele cuidaram durante a hospitalização (3).

Nesse contexto, o interesse pelo estudo teve como partida o fato de que as mães com filhos em tratamento no MC possam não saber a real importância no mesmo e sua contribuição para a diminuição do índice de morbimortalidade infantil e observar se a equipe transmite de forma clara e dinâmica, as informações sobre os cuidados que são prestados aos recém- nascidos no método canguru. Diante do exposto torna-se relevante responder a pergunta da pesquisa: Qual a experiência vivenciada pelas mães inseridas no método canguru?

OBJETIVO

Geral

Relatar a experiência vivenciada pelas mães inseridas no método canguru em uma maternidade pública.

Específicos

  • Apresentar o conhecimento prévio das mães sobre o método
  • Descrever o sentimento das mães participantes desse método.
  • Relatar as experiências das mães como protagonista do método
  • Compreender a percepção das mães sobre o processo comunicacional entre esta e a equipe de enfermagem no contexto do método

MÉTODOS

Tratou-se de um estudo descritivo e exploratório com abordagem qualitativa. A pesquisa foi realizada na enfermaria canguru da Ma- ternidade Escola Santa Mônica, referência estadual para o atendimento à gestante e recém-nascido de alto risco, contando com Uni- dade de Terapia Intensiva (UTI) Materna e Neonatal desenvolvendo atividades inter-relacionadas de ensino, pesquisa, extensão e assistência.

Devido à rotatividade das genitoras e o número limitado de leitos a amostra foi composta por 10 mães, com filhos em tratamento no método canguru na Maternidade escola Santa Mônica do município de Maceió, Alagoas, Brasil. Foram incluídas as genitoras dos recém-nascidos, que estavam com filhos em tratamento no método canguru na Maternidade Escola Santa Mônica no período de novembro de 2013 a abril de 2014 e aceitaram participar da pesquisa. Já as mães com idade inferior a 18 anos e as genitoras cujos recém-nascidos retornaram a UTI foram excluídas.

O instrumento utilizado para a coleta das informações tratou-se de uma entrevista composta por nove perguntas direcionadas aos assuntos relacionados ao objeto do estudo da pesquisa em questão e quatro questões fechadas de múltipla escolha relacionadas aos dados complementares do entrevistado (idade, estado civil, cor e religião).

A coleta de dados foi realizada através de uma entrevista mediante aceitação de participação da mãe na pesquisa. As entrevistas ocorreram uma vez por semana, no dia e turno definido pela instituição hospitalar, durante o período de seis meses (novembro de 2013 a abril de 2014), sendo a quantidade de entrevistas realizadas por dia definida de acordo com a demanda de mães presentes no alojamento canguru. As mães receberam todas as informações necessárias e cabíveis que faziam jus a todas as etapas da pesquisa, deixando-as ciente de todos os riscos e benefícios contidos na proposta da pesquisa. Em seguida, as mesmas assinavam as duas vias do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), sendo uma cópia da participante voluntária da pesquisa e a outra da entre- vistadora/pesquisadora.

Após esta etapa e o esclarecimento de dúvidas, o instrumento de coleta de dados era lido, neste momento o pesquisador administrava o preenchimento das questões fechadas. Já as respostas das questões abertas (09) foram gravadas no momento da entrevista.

A presente pesquisa baseou-se nas diretrizes da resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde (CNS)/Ministério da Saúde (MS) sobre o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), onde todas as entrevistadas assinaram o TCLE. Além disso, a presente pesquisa apresenta a aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa da UNCISAL de acordo com o protocolo N° 2017.

A análise dos dados foi realizada, com base na técnica de análise de conteúdo que utiliza artifícios sistemáticos para descrição do conteúdo das mensagens, como argumenta Bardin. A análise de conteúdo para esta autora é: “Um conjunto de instrumentos de cunho metodológico em constante aperfeiçoamento, que se aplicam a discursos (conteúdos e continentes) extremamente diversifi- cados” (15).

As informações coletadas foram separadas por questões e analisadas de forma geral com auxílio das variáveis estipuladas: tempo, lugar, com quem, como e o que. Foram quantificadas de acordo com palavras que mais se repetiam que indicasse correspondências com as variáveis.

Todas as informações foram analisadas, buscando-se assim uma visão ampla do assunto, sem restringir ou simplificar o comportamento da população pesquisada. O sigilo e o anonimato das voluntárias foram respeitados, as quais foram referidas por ordem numérica.

RESULTADOS

A faixa etária das dez mães que participaram deste estudo variou de 18 a 29 anos, dando empate com relação ao número de solteiras, casadas, católicas e evangélicas e sendo a grande maioria de raça parda. Tabela 1.

A análise compreensiva permitiu localizar na fala das mães entrevistadas que a linguagem utilizada pelos profissionais no que se diz respeito ao método mãe-canguru é, de maneira geral, clara e capaz de esclarecer as dúvidas das pacientes.

Dá pra entender, às vezes na dúvida, a gente sempre pergunta e eles respondem. (M1).

Sim, quando tem umas palavras, que como vocês elas estudaram, aí eu digo: dá pra falar o meu português? Mas eles sempre me ex- plicam toda hora [...]. (M2).

Às vezes respondem [...] de um jeito que a gente não sabe, mas a gente pergunta de novo, aí ela vem e explica. (M3).

Mais ou menos, alguns eu entendo, quando não entendo eu pergunto. (M7).

Entendo. (M9).

Foi também possível apreender o nível de satisfação dessas mães pela qualidade do atendimento recebido, como se constata nas falas apresentadas a seguir:

Eu acho bem, eles toda hora tão com a gente, tão ensinando à gente as coisas, tão prestando atenção, tão ajudando a gente a cuidar deles que são prematuros, e a gente não sabe como lidar. (M1).

É bom, desde a enfermeira [...] médico, de todo mundo. A médica é ótima pessoa, as enfermeiras [...]. (M2).

É ótimo, aqui quando a gente precisa de ajuda, que não sabe alguma coisa, pergunta e elas respondem. (M3).

Eu acho muito organizado, elas dão muita atenção pra eles, e pras mães também. (M7).

Muito bom. (M8).

Outro aspecto que mereceu destaque no discurso das mulheres foram os resultados positivos do método canguru, como o ganho de peso do bebê e a diminuição do stress, elencados por elas sobre o método.

[...] ele fica mais confortável, a gente acha que machuca por que aperta um pouquinho, mas não, eles ficam confortáveis, dormem bem, ajuda também na respiração deles [...]. (M1).

Ganhou peso mais rápido, ás vezes chora um pouquinho, por que é normal né? Mas tá mais tranquilo, pega peso rápido, tá com a gente aqui, aí é melhor. (M3).

Na amamentação, que ela não tava sugando e agora ela já tá, ela chora menos. (M5).

Já, tá comendo mais ne!?, já tá se alimentando melhor, ele já tá na sonda, mas já aumentou a dieta, já não tá regurgitando, porque quando tava lá em baixo ficava regurgitando direto. (M6).

[...] Ele tem ganhado mais peso do que na UTI [...]. (M7).

Com a narrativa das mães sobre o sentimento no primeiro contato pele a pele com o bebê, verifica-se que uns dos sentimentos prin- cipais que o método mãe canguru proporciona é a felicidade.

[...] assim pele a pele a gente se sente muito feliz. (M1).

[...] foi muito bom, assim, foi algo, não tem como explicar, não tem explicação, é muito bom, é uma sensação de alivio. Foi uma emoção tão grande [...]. (M2).

[...] muita alegria. Pegar ela pela primeira vez. (M4). Ah, o calorzinho dele é bom, é bem gostosinho. (M7). Fiquei alegre né. (M8).

Destaca-se o tempo em que as mães permanecem em posição canguru, as mesmas alegam ser entre uma hora e uma hora e meia, que o tempo depende do comportamento do seu bebê.

1 hora, 1 hora e meia, por que assim, quando ele tá meio abusado a gente tira pra mamar [...]. (M3).

1hora por dia. (M7).

No mínimo 30 minutos e no máximo 1 hora. (M8).

As mães relatam que o ambiente encontrado no método canguru é tranquilo e agradável.

Aqui é bom, assim não tem o que falar, as enfermeiras são boas, aqui a gente fica melhor com o bebê. (M2).

É agradável, é calmo, não tem estresse. (M5).

Tranquilo, bom. É como se a gente tivesse em casa [...]. (M7).

É calmo pra me e pra ele. (M8).

Até agora tá tudo agradável, por enquanto tá tudo normal, tudo legal. (M10).

Assim, verifica-se que, de acordo com os relatos das mães sobre o que mudou após a experiência vivida no método canguru, des- taca-se a melhora na relação afeto mãe-bebê.

Acho que eles ficam mais confortável, desenvolvem mais rápido, ajuda eles também na respiração. E pra gente também, a relação afeto mãe e filho [...]. (M1).

[...] o jeito mais de ser mãe, de ser mulher agora, mudou tudo. A responsabilidade aumenta mais. (M3).

Mudou 100%, eu ficava agoniada sem nem poder tocar nela, sem pode cuidar dela, aí mudou né? Depois que eu vim pra cá. (M5).

Muito melhor né?! Que agora é a gente que cuida, não fica esperando ninguém cuidar né?! [...]. (M6).

Assim, mudou á proximidade com o bebê né?! Dá mais experiência pra gente. Aí quando tá em casa já sabe como lhe dá com ele. (M7).

As mães expressam não ter conhecimento suficiente sobre sua real importância para o método canguru. Observa-se através das falas abaixo:

[...] a gente tá com ele no colo sempre, aí fica mais confortável pra gente e acho que pra eles também né? (M1).

[...] a gente fica com o bebê da gente, tem mais tempo com ele, aprende mais coisas, tá com ele aqui é bom [...]. (M3).

Ela vai ganhar peso mais rápido, porque está perto de me, ajuda muito [...]. (M5).

Rapaz, sei, acho que sim né?! Pra ficar mais perto né?! Dele né?! Pra cuidar mais, aprender como lidar [...]. (M6).

Eu sei que é pra aproximar. (M7).

De acordo com as falas das mães sobre o que é o método canguru, fica evidente que ainda falta conhecimento sobre o real conceito do mesmo.

Eu acho que pra aproximar mais o filho da mãe, pra sentir que tá como se fosse na barriga ainda, eu entendo assim, pra ajudar mais né? Por que como eles são prematuros ainda não tem as defesas dele [...]. (M2).

[...] pra se especializar, como eles são pequenininhos, nasceu antes do tempo, não é como os bebês que nasceu de nove meses nor- mal. É mais cuidado em tudo, é mais cuidado no banho, no jeito de trocar fralda, no jeito de cuidar, a alimentação também é diferente. (M3).

É bom, sei lá, sei nem explicar. É tá aqui com minha bebê aprendendo mais [...]. Aprendendo muitas coisas. (M4).

Assim um pouco né!? (M9).

[...] só sei que é pra deixar o bebê né!? Com a sensação de como se ele tivesse na barriga da mãe. (M10).

DISCUSSÃO

O método canguru (MC) implica em tecnologia de cuidado que propicia uma transição suave para a vida extrauterina e que tem na mãe um papel indispensável nos cuidados e tratamentos do bebê. O estudo em questão corrobora com outros estudos afirmando que o MC estimula o contato prévio pele a pele e a oportunidade de amamentar o filho, resgatando-os assim do processo árduo e estressante vivenciado diante da circunstância de parto prematuro (16).

Verifica-se que o sentimento predominante que o método proporcionou às mães do presente estudo foi à felicidade, uma vez que permitiu o contato integral das mães com os bebês no alojamento canguru em detrimento ao contato limitado característico da UTI NEO. O estudo são semelhante a pesquisa em questão, quando se refere que no MC, a mãe substitui gradualmente à incubadora e mantém o bebê aquecido por meio do contato com a sua pele (16).

O contato pele a pele deve durar o máximo possível, com duração mínima de 60 minutos por período de 24 horas quando não houver a possibilidade da permanência contínua. Similar a esta pesquisa quando afirma que este contato inicia-se com o toque, evo- luindo até a posição canguru, permanecendo pelo tempo em que ambos entenderem ser prazeroso e suficiente (17).

Embora desconhecessem de maneira geral a real importância do método canguru, as principais vantagens do método citadas pelas mães entrevistadas foram: aumento do vínculo afetivo mãe-filho; maior competência e ampla confiança dos pais ao manusearem o filho, mesmo após a alta hospitalar e estimulação do aleitamento materno, similar ao documentado na literatura (17).

Nos relatos analisados, percebe-se que à medida que as mães passavam a se responsabilizarem pelo cuidado com o recém-nascido, no decorrer da realização do Método Canguru, elas ficaram mais tranquilas e melhoraram a qualidade do relacionamento mãe-filho. Coincidindo com outros estudos quando relatam que esse relacionamento, possibilitado pelo MC, pôde ser entendido como uma forma de adequação e adaptação recíproca mãe-filho e como uma preparação para o cuidado em domicílio (18).

Os medos, dúvidas e inseguranças quanto ao Método Canguru e ao manejo do recém-nascido prematuro, assim como o estado de agitação, angústia e ansiedade na expectativa da volta para suas casas, constituíram as principais dificuldades encontradas por essas mães, já que refletem diretamente no desenvolvimento do bebê e na eficácia do método. Porém, literaturas afirmam que ainda assim, a prática do método canguru contribuiu para o aumento da competência materna no cuidado do seu filho (18).

CONCLUSÃO

Diante do resultado dessa pesquisa afirma-se que as mães com filho em tratamento no método canguru desconhecem a real impor- tância do método e sua contribuição para a diminuição do índice de morbimortalidade infantil.

É importante destacar que na vivência do MC, as mães apresentaram relatos de medo, insegurança e dúvidas, porém essas dificul- dades podem ser minimizadas com o acolhimento da equipe (promoção de assistência humanizada) que sempre está presente, orien- tando-as com os cuidados prestados ao bebê, tais como: banho, alimentação, posição, entre outros. Diante do exposto, torna-se evidente a importância dos profissionais usarem uma forma dinâmica e ilustrativa, para que seja de melhor compreensão e que tornem as mães conscientes sobre o que é o método canguru e a importância das mesmas como elementos ativos para a eficácia do método.

 

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