Salud mental y mindfulness disposicional de los profesionales de la salud durante la pandemia de COVID-19

Sección: Originales

Cómo citar este artículo

Gherardi-Donato ECDS, Barbosa MR, Fernandes M, Diaz-Serrano KV, Silva GV da, Reisdorfer E, Gonçalves-Ferri WA. Saúde mental e Mindfulness disposicional de profissionais da saúde durante a pandemia da COVID-19. Rev. iberoam. Educ. investi. Enferm. 2022; 12(3):8-20. Doi: https://doi.org/10.56104/Aladafe.2022.12.1021000386

Autores

1 Edilaine Cristina da Silva Gherardi-Donato, 2 Marina Rodrigues Barbosa, 3 Mariana Fernandes, 4 Kranya Victoria Díaz-Serrano, 5 Graziela Valle da Silva 6 Emilene Reisdorfer, 7 Walusa Assad Gonçalves-Ferri

1 RN, PhD. Professora Associada. Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Brasil
2 PhD. Professora Adjunta. Faculdade de Medicina. Universidade Federal de Uberlândia. Brasil
3 PhD Candidate. Mestre em Ciências da Saúde. Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Brasil
4 DDS, MSc, PhD. Professora Doutora do Departamento de Clínica Infantil. Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Brasil
5 MsC. Mestre em Ciências da Saúde. Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Brasil
6 RN, PhD. Assistant Professor. Department of Professional Nursing and Allied Health. MacEwan University. Canadá
7 MD, PhD. Assistant professor. Department of Pediatrics. Ribeirão Preto Medical School, University of São Paulo. Brasil

Contacto:

Email: reisdorfere@macewan.ca

Resumen

Objetivo: evaluar aspectos de salud mental y mindfulness disposicional de profesionales de la salud, enfermeros y médicos, en el contexto de la pandemia por COVID-19.

Método: estudio exploratorio descriptivo realizado sobre una muestra de 77 profesionales de la salud. Se evaluaron datos sociodemográficos y de salud, estrés, ansiedad, depresión y mindfulness.

Resultados: los profesionales de la salud presentaron un alto nivel de estrés percibido, antecedentes de estrés temprano, síntomas de depresión y síntomas de ansiedad en niveles moderados y severos. El miedo era el sentimiento más experimentado. Las medidas de atención plena se correlacionaron negativamente con las deficiencias de salud mental.

Conclusión: las condiciones de salud mental identificadas en el presente estudio postulan un escenario desafiante y preocupante, pues anuncian la necesidad de acciones para garantizar la salud mental de los profesionales de la salud y su eficiencia cognitiva y emocional para la prestación de cuidados durante y después de la pandemia por COVID-19.

Palabras clave:

salud mental ; profesionales de la salud ; mindfulness ; COVID-19 ; pandemia

Title:

Mental health and dispositional mindfulness in healthcare professionals during the COVID-19 pandemic

Abstract:

Objective: to evaluate aspects of mental health and dispositional mindfulness in health professionals, nurses and doctors, in the COVID-19 context.

Method: a descriptive exploratory study conducted on a sample of 77 healthcare professionals. Sociodemographic and health data were evaluated, as well as stress, anxiety, depression and mindfulness data.

Results: healthcare professionals presented a high level of perceived stress, a past history of early stress, depression symptoms and anxiety symptoms in moderate and severe levels. Fear was the most widely experienced feeling. Mindfulness measures were negatively correlated with mental health deficiencies.

Conclusion: the mental health conditions identified in this study presented a challenging and worrying scenario, because they showed the need for actions to guarantee the mental health of health professionals and their cognitive and emocional efficiency in order to provide care during and after COVID-19.

Keywords:

Mental Health; health professionals; mindfulness; COVID-19; pandemic

Portugues

Título:

SAÚDE MENTAL E MINDFULNESS DISPOSICIONAL DE PROFISSIONAIS DA SAÚDE DURANTE A PANDEMIA DA COVID-19

Resumo:

Objetivo: avaliar aspectos de saúde mental e mindfulness disposicional de profissionais da saúde, enfermeiros e médicos, no contexto da COVID-19. Método: estudo descritivo exploratório realizado em uma amostra de 77 profissionais de saúde. Foram avaliados dados sociodemográficos e de saúde, estresse, ansiedade, depressão e mindfulness. Resultados: os profissionais de saúde apresentaram alto nível de estresse percebido, histórico de estresse precoce, sintomas de depressão, e sintomas de ansiedade em níveis moderado e grave. O medo foi o sentimento mais vivenciado. Medidas de mindfulness apresentaram correlação negativa com os comprometimentos de saúde mental. Conclusão: as condições de saúde mental identificadas no presente estudo postulam um cenário desafiador e preocupante, à medida que anunciam a necessidade de ações para garantir a saúde mental dos profissionais de saúde e a eficiência cognitiva e emocional destes para a prestação de cuidados durante e após a pandemia da COVID-19.

Palavras-chave:

saúde mental; profissionais de saúde; mindfulness; COVID-19; pandemia

INTRODUÇÃO

No dia 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou oficialmente uma nova pandemia, como resultado da disseminação do novo vírus SARS-CoV-2 (1). A COVID-19 colocou a população mundial em uma situação de extrema incerteza, sem distinção de etnia, sexo, idade, fronteiras geopolíticas e de contextos socioculturais. Sua repercussão transcende o nível letal de virulência.

Mudanças no cotidiano, como resultado do isolamento físico, junto às readequações no trabalho e aos problemas socioeconômicos, têm afetado a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas mundialmente. Nesse sentido, profissionais da saúde (PS) compõem uma das populações mais afetadas, os quais têm sido negativamente impactados pela exposição e alto risco de contaminação com o SARS-CoV-2 durante o trabalho, por meio do contato direto ou indireto com pacientes infectados ou colegas, ou pela transmissão comunitária.

A vulnerabilidade destes profissionais se estende além da segurança pessoal. Longa jornada laboral, falta de equipamentos de proteção, contínuas modificações estruturais e na composição das equipes de trabalho, fadiga física e emocional, caracterizam o contexto pandêmico. Tal contexto agrava-se pelo distanciamento físico e a estigmatização desses trabalhadores; tendo que se manter isolados de familiares e entes queridos (2,3).

Pesquisadores, uma vez anunciada a pandemia, concentraram-se principalmente nos aspectos epidemiológicos e clínicos resultantes do agente patógeno. Por sua vez, as consequências psicossociais decorrentes da COVID-19, bem como quanto às condições de saúde mental e repercussões na prática clínica, especificamente nos PS, revelaram-se um campo altamente relevante de pesquisa para o enfrentamento da pandemia.

O impacto da COVID-19 no bem-estar dos PS parece avançar concomitantemente com o patógeno, solicitando um olhar atento e criterioso. Agravos como esgotamento extremo, sintomas de depressão, ansiedade, estresse severo, sofrimento psicológico e suicídio, tem sido descritos em PS durante a pandemia (4,5). O sentimento de medo entre os PS têm apresentado altas taxas, maiores que a população geral. Este sentimento envolve a estigmatização, o risco de infectar-se, a impossibilidade de não fornecer cuidados adequados devido aos recursos limitados, de infectar familiares e amigos, dentre outros (6).

As situações estressoras no cotidiano dos PS são contínuas e multifatoriais, podendo fomentar exaustão emocional que se desdobra em erros na prática clínica, falta de empatia, menor produtividade e maior rotatividade no serviço (6). Entretanto, as condições e eventos potencialmente estressores no ambiente de trabalho do PS, não caracterizam, por si só, o fenômeno do estresse. A percepção que o indivíduo tem sobre sua capacidade para gerenciar as demandas internas e externas, resultantes das situações potencialmente estressoras, determina esse fenômeno, o qual é caracterizado por um estado em que são acionados diversos recursos fisiológicos para melhor lidar com a situação (7).

Assim, se faz necessário avaliar o estresse por meio de instrumentos confiáveis e validados, a fim de melhor compreender a percepção que o indivíduo tem sobre a dimensão e potencialidade estressora da situação e, assim como da sua capacidade de resposta ante essa demanda. A Escala de Estresse Percebido (PSS) validada no Brasil por Luft et al. (8) (2007), tem sido uma das ferramentas mais utilizadas visando a avaliação deste aspecto no fenômeno do estresse.

Ainda, entendendo que o processo de adoecer é singular para cada indivíduo e que múltiplos fatores podem influenciar desde períodos precoces da vida, avaliar o estresse precoce traz uma perspectiva mais ampla de análise. O trauma infantil, também denominado como estresse precoce, é entendido como um conjunto de experiências traumáticas, abusos e negligências ocorridas durante a infância (9), as quais têm o potencial de aumentar o risco para o desenvolvimento de psicopatologias que se perpetuam até a fase adulta. Quanto mais precoce, intensa ou prolongada a situação estressora, maiores e mais permanentes podem ser os danos para o indivíduo (10).

Considerando os agravos nos aspectos psico-emocionais da pessoa como resultado do fluxo contínuo de estresse, o desenvolvimento de habilidades que ampliem a capacidade de regulação emocional, a qual é definida como o processo por meio do qual influenciamos nossas emoções, a partir do reconhecimento do momento em que elas surgem e da forma como as expressamos, pode representar um potencial recurso para melhor lidar com as adversidades vivenciadas no contexto do ambiente de trabalho dos PS, a partir da ressignificação dos eventos estressantes (11).

Nesse sentido mindfulness, definido como a "consciência que emerge quando se está prestando atenção, intencionalmente, concentrado no momento presente, sem julgamentos"(12), é compreendido como um estado e como um traço psicológico, também conhecido como mindfulness disposicional. Este último, entendido como uma disposição humana para estar consciente, ocorre independentemente da prática regular de mindfulness, e está intimamente relacionado a uma variedade de benefícios à saúde mental, como em sintomatologia depressiva, ansiosa, de estresse e estresse pós-traumático (13).

Assim, habilidades refletidas nos níveis de resiliência psicológica, na capacidade de adaptar-se positivamente à adversidade e nos estados e níveis de mindfulness constituem aspectos protetivos ao estresse (14).

Ante o incontestável impacto da COVID-19 na saúde mental dos PS, este estudo teve como objetivo identificar, descrever e analisar aspectos quantitativos relativos a sentimentos vivenciados, níveis de ansiedade e depressão, estresse percebido, estresse precoce, estados e níveis de mindfulness em uma amostra de profissionais de saúde no contexto da COVID-19.

MÉTODO

Breve percurso determinante para o delineamento do estudo
Ante a crescente demanda de PS na procura de uma estratégia de gerenciamento do estresse e melhora da saúde mental, para apoio na prática clínica, foi realizado convite à comunidade de atuantes na assistência em saúde interessados e disponíveis para acesso semanal ao Programa baseado em mindfulness. Os principais motivadores relacionavam-se à crescente rotatividade dos profissionais no serviço, à sobrecarga de trabalho e ao conflito entre funções administrativas e assistenciais entre profissionais de saúde, que culminavam em aumento do estresse.

Desenho do estudo
Estudo descritivo exploratório e correlacional, com análise quantitativa dos dados coletados em abril de 2020. As variáveis de interesse foram: condições sociodemográficas e de saúde; estado e nível de mindfulness (Atenção Plena); sintomas de depressão e ansiedade, e estresse precoce e percebido.

Amostra
Trata-se de uma amostra não probabilística por conveniência, na qual foram incluídos: médicos, enfermeiros, auxiliares ou técnicos de enfermagem, que atuavam na assistência em quaisquer serviços de saúde no Brasil e manifestaram interesse em participar do programa de treinamento online para redução de estresse e promoção de saúde mental baseado em mindfulness. Foram excluídos da amostra os profissionais que responderam sim, no formulário de pré-inscrição, quanto a estar em fase aguda de condições psicopatológicas sem tratamento. O recrutamento dos participantes foi viabilizado por meio de divulgação da pesquisa em mídias sociais e e-mails institucionais.

Os profissionais que manifestaram interesse em participar do estudo foram convidados a responder ao formulário de pré-inscrição, o qual foi utilizado como instrumento determinante para verificação dos critérios de elegibilidade. Neste formulário os profissionais eram indagados sobre a possibilidade de terem diagnósticos de transtornos psiquiátricos e sobre o tratamento, por exemplo. Do total de 122 profissionais que manifestaram interesse em participar do estudo, 45 foram excluídos, sendo que destes 16 eram inelegíveis (estavam em fase aguda de condições psicopatológicas e sem tratamento), 04 responderam os instrumentos em duplicidade e 25 não responderam aos instrumentos de avaliação do estudo, chegando-se a uma amostra final de 77 sujeitos.

Coleta de dados
Foram coletadas informações sobre idade, sexo, denominação racial, profissão, estado civil, atividade física, hábito de fumar, uso de bebida alcoólica, número de horas de sono e condição de moradia (sozinho ou acompanhado), por meio da aplicação de um Questionário de Dados Sociodemográficos, elaborado pelos pesquisadores. A coleta de dados ocorreu entre abril e junho de 2020.

As informações sobre os sentimentos e percepções em relação à pandemia da COVID-19, foram coletadas por meio de cinco questões fechadas com respostas dicotômicas: "Sente que sua rotina de trabalho foi impactada pela pandemia da Covid-19?"; "Você se sente que a pandemia da Covid-19 torna você mais ansioso(a) ou estressado(a) no ambiente de trabalho, impactando o seu estado emocional?"; "Você sente que esse estado emocional pode comprometer sua prática clínica?"; e Você é responsável pela prestação de cuidados diretos a pessoas diagnosticadas com Covid-19?". Uma última questão foi aplicada, solicitando ao participante "Represente com uma palavra qual sentimento está mais forte em você em relação à pandemia da Covid-19".

O nível de estresse percebido foi avaliado por meio da aplicação da Escala de Estresse Percebido (Perceived Stress Scale PSS-14), elaborada por Cohen et al. (15), a qual foi traduzida e validada no Brasil por Luft et al.(8). A PSS-14 possui 14 questões, com respostas que variam de zero a quatro (0= nunca; 1= quase nunca; 2= às vezes; 3= quase sempre e 4= sempre). As questões com conotação positiva (4, 5, 6, 7, 9, 10 e 13) têm sua pontuação somada e invertida. As demais são negativas, somadas diretamente. O escore total da escala pode variar de zero (sem estresse) a 56 (estresse extremo) (8).

Para avaliar o estresse precoce foi utilizado o Childhood Trauma Questionnaire (CTQ), adaptado e validado no Brasil por Grassi-Oliveira et al. (16). Trata-se de uma escala tipo Likert que varia de 1= nunca a 5= sempre e indica os seguintes subtipos de estresse precoce: Abuso Emocional, Abuso Físico, Abuso Sexual, Negligência Física e Negligência Emocional. A pontuação é feita pelo somatório de pontos referentes às assertivas de cada subtipo de trauma vivenciado na infância, totalizando no final cinco escores que variam de 5 a 25. Para caracterizar estresse precoce é esperado pontuar nas classificações de moderado-severo ou severo-extremo, em pelo menos um dos subtipos.

Sintomas de ansiedade foram investigados com a aplicação do Inventário de Ansiedade de Beck (Beck Anxiety Inventory: BAI)(17), instrumento traduzido e validado para o Brasil por Quintão et al. (12). Trata-se de uma escala autoaplicável de 21 questões, com respostas variadas: Absolutamente não, Levemente, Moderadamente e Gravemente, às quais lhes é atribuído escores de 1 a 4, respectivamente. O escore final obtido a partir da soma dos pontos pode variar entre 0 e 63, com a resultante classificação de: Até 10 pontos indica ausência de sintomas; 11 a 19 pontos indica ansiedade leve a moderada; 20 a 30 pontos indica ansiedade moderada; 31 a 63 pontos indica ansiedade grave.

Sintomas de depressão foram avaliados pela aplicação do Inventário de Depressão de Beck II (Beck Depression Inventory-IIBDI– II)(18), instrumento traduzido e validado para o Brasil por Gomes-Oliveira et al. (19). O BDI-II também é autoaplicável e contém 21 questões, com respostas que variam de acordo com a pergunta, com opções 1 a 3. O escore final obtido a partir da soma dos pontos pode variar entre 0 e 63, seguindo a classificação: 0 a 13 pontos indica depressão mínima; 14 a 19 pontos indica depressão leve; 20 a 28 pontos indica depressão moderada; 29 a 63 pontos indica depressão severa.

Mindfulness disposicional foi avaliado pela aplicação de dois instrumentos, a Mindful Attention Scale (MAAS) e o Five Facet Mindfulness
Questionnaire (FFMQ).

A MAAS avalia o aspecto atencional de mindfulness, do foco de atenção no momento presente, desde uma perspectiva unidimensional. Esta escala foi traduzida e validada para o Brasil por Barros et al(20) e consiste em um instrumento autoaplicável, com 15 itens, com opções de respostas que variam numa escala de 1=quase sempre a 6=quase nunca, em relação ao quanto o respondente têm experimentado o que está descrito em cada uma das afirmativas. A pontuação máxima que pode ser atingida é de 90 pontos e a mínima de 15 pontos, indicando maior ou menor capacidade de mindfulness.

O FFMQ, desenvolvido por Baer et al. (21) e traduzido e validado para o Brasil por Barros et al. (20), mensura níveis de mindfulness de forma multidimensional, considerando cinco facetas. Na versão brasileira, duas das facetas da versão original foram subdivididas, totalizando sete. São elas: observar; descrever (subdividida em formulação positiva e negativa); agir com atenção plena (subdividida em piloto automático e distração); não reagir; e não julgar; cada uma com variados valores mínimos e máximos, de acordo ao número de questões que a caracterizam. O escore total máximo é de 195 pontos e o mínimo de 39 pontos, obtido por meio da soma dos escores atingidos nas facetas, indicando o nível máximo e mínimo de mindfulness, respectivamente. A análise dos resultados da escala no presente estudo foi realizada a partir dos escores das facetas separadamente, como recomendado pela literatura (12). No contexto da descrição dos resultados e discussão considerou-se que a habilidade avaliada pela faceta apresentou-se desenvolvida no sujeito, quando a pontuação obtida foi acima da mediana da pontuação de cada faceta avaliada, indicada no instrumento.

Análise e tratamento dos dados
Os dados relativos aos instrumentos foram submetidos à análise por estatística descritiva e correlacional realizada no software IBM® SPSS® Statistics versão 25. Foram calculadas frequências, porcentagem, valores mínimos e máximos, média, mediana e desvio padrão, assim como a correlação entre as variáveis do estudo.

Os dados originados pelas respostas às questões sobre os sentimentos e percepções em relação à pandemia da COVID-19 foram analisados por frequência simples. A nuvem de palavras foi utilizada como recurso para representação gráfica dos sentimentos expressos pelos participantes em palavras, na qual o tamanho representa a frequência de citação. Utilizou-se o software aplicativo Wordle® para a construção de Nuvens de Palavras.

Aspectos éticos
Todas as normas e as diretrizes éticas foram respeitadas e o projeto foi aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa da EERP/USP (CAAE 26631119.5.0000.5393). O projeto está em conformidade com a Resolução 466/12.

RESULTADOS

Inicialmente, 122 PS buscaram o programa de treinamento para desenvolver habilidades para lidar com o estresse e manter a saúde mental baseado em mindfulness e manifestaram interesse em participar do estudo. Destes, 13,1% (n= 16) eram inelegíveis, 3,2% (n= 4) responderam em duplicidade; 20,4% (n= 25) manifestaram interesse porém não responderam o questionário completo. A amostra final foi composta por 77 participantes, representando 63,1% dos profissionais que preencheram integralmente a pré-inscrição de intenção em participar do curso durante a pandemia.

A idade média dos profissionais foi de 34,6 (±6,9) anos, com predomínio do sexo feminino (87,0%) e em relação à área profissional, 61,0% eram enfermeiros(as), 33,76% médicos/as e 5,19% técnicos(as)/auxiliares de enfermagem.

A maioria dos participantes, 74,0% (n= 57), declarou-se com cor da pele branca; 50,6% (n= 39) era casada ou tinha um companheiro/a; 57,1% (n= 44) não tinham filhos; 26,0% (n= 20) moravam acompanhados por companheiros/as e/ou filhos, 26,0% (n= 20) moravam com pais e/ou irmãos e 22,1% (17) moravam sozinhos. Relataram trabalhar, em média, 46,1 (±13,1) horas semanais e 53,2% (n= 41) declararam atuar na prestação dos cuidados diretos a pessoas diagnosticadas com COVID-19.

Sobre condições gerais de saúde, 77,9% (n= 60) referiram não ter doenças crônicas não-transmissíveis; o tempo de sono variou entre 4 a 8 horas por dia, com predomínio de 45,5% (n= 35) dos PS que informaram dormir seis horas, em média, por dia; 24,7% (n= 17) declararam uma qualidade de sono “ruim” ou "muito ruim", 33,8% (n= 26) relataram qualidade do sono “satisfatória”, 36,4% (n= 28) classificaram a qualidade do sono como "boa" e 5,2% (n= 4) indicaram qualidade de sono "muito boa". A maioria dos profissionais, 63,6% (n= 49), informou praticar atividade física, em média 3,5 vezes na semana; 58,4% (n= 45) relataram consumir bebida alcoólica, em média 1,5 vezes por semana. Tabagismo foi relatado por 3,9% (n= 03) dos participantes; 19,5% (n= 15) faziam uso de psicotrópicos; e 42,9% (n= 33) declararam ter procurado atendimento psicológico no último ano.

A presença de estresse precoce, caracterizada pela vivência de, pelo menos, um subtipo de trauma na infância em nível moderado ou grave, foi identificada em todos os profissionais de saúde da amostra. O subtipo mais frequente, nas gravidades moderada e grave, foi o abuso sexual (100,0%), seguido pelo abuso físico (61,0%), abuso emocional (33,8%), negligência física (23,4%) e negligência emocional (20,8%) (Tabela 1).

A partir das perguntas realizadas aos participantes sobre a percepção do trabalho em relação à pandemia da COVID-19, foi constatado que 87,0% (n= 67) relataram sentir impactos na rotina de trabalho e mesma porcentagem manifestou se sentir mais ansiosos ou estressados no ambiente de trabalho; 74,0% (n= 57) consideraram que este estado emocional poderia impactar a sua prática clínica.

Entre os sentimentos relacionados à pandemia da COVID-19, a maioria reportou medo (26,0%), incerteza (10,4%) e ansiedade (9,1%), dentre outros, que foram vivenciados pelos profissionais de saúde (Figura 1).

Pontuação média obtida na escala de estresse percebido foi de 29,3 (±6,5) pontos, que representa 52,3% da pontuação máxima da escala (56 pontos). Os valores máximos e mínimos obtidos foram 44 e 13, respectivamente, e mediana igual a 30 pontos. A maioria expressiva dos profissionais (94,8%) apresentava estresse percebido de moderado a grave e os demais (5,2%) apresentaram nível leve de estresse percebido.

De acordo com os resultados do BAI, apresentaram sintomatologia relacionada à ansiedade grave 54,5% (n= 42) dos PS, e 45,4% (n= 35) ansiedade moderada. A pontuação média obtida na escala foi de 34,7 (±8,5). A depressão de leve a moderada foi observada em 36,4% (n= 28) dos PS e a pontuação média obtida na escala BDI foi 12,8 (±7,6).

Os participantes obtiveram pontuação média de estado mindfulness de 47,1 (±12,7), que representa 52,3% da pontuação máxima da escala MAAS. O valor da mediana foi de 47,0, sendo que 46,7% dos profissionais atingiram valores abaixo dessa tendência central.

No que diz respeito aos níveis de mindfulness, os resultados obtidos em cada faceta revelaram que para todas as dimensões da escala (facetas) os valores da média e mediana foram convergentes, indicando simetria na distribuição das pontuações apresentadas pelos participantes da amostra (Tabela 2).

Os resultados analíticos relacionados ao estresse percebido evidenciaram correlação positiva entre a a Faceta de Mindfulness Descrever com formulação negativa (Tabela 3). O estresse percebido correlacionou-se positivamente com os sintomas de ansiedade e depressão; e negativamente com o tempo de sono. Observou-se que quanto mais altos os escores de estresse percebido mais baixos eram as pontuações para as Facetas de mindfulness, com exceção da Faceta Descrever com formulação positiva, a qual não apresentou correlação com as demais variáveis (Tabela 3).

Ter vivenciado abuso sexual na infância se correlacionou inversamente com a Faceta de mndfulness Agir com Distração, ainda que o estado de mindfulness geral não tenha apresentado correlação com os subtipos de estresse precoce (Tabela 4). A ansiedade apresentou correlação positiva com trauma na infância relacionado a abuso emocional (Tabela 4). Correlações negativas foram observadas entre ansiedade e estado de Mindfulness, Faceta Observar, Faceta Não reagir, Faceta Não julgar e Faceta Agir no Piloto Automático (Tabela 3).

Sobre a depressão, observou-se que as pontuações mais altas estavam correlacionadas a pontuações mais baixas para o estado de mindfulness e para as Facetas Observar, Não reagir, Não Julgar, Agir com Atenção e Descrever Negativo (Tabela 3). Com relação ao estresse precoce, a ansiedade apresentou correlação positiva com o histórico de abuso emocional e negligência emocional, e a depressão apresentou correlação positiva com abuso emocional (Tabela 4).

DISCUSSÃO

A pandemia da COVID-19 impactou de forma significativa a saúde mental das pessoas e o presente estudo traz evidências relativas aos profissionais de enfermagem e médicos atuantes na assistência em saúde. Níveis expressivos de estresse precoce, estresse percebido, ansiedade e depressão estiveram presentes na população estudada, assim como o comprometimento de habilidades de atenção plena, relacionadas com as experiências e modos de agir, permeadas pelo estado e níveis de mindfulness.

A avaliação referente ao estresse precoce permitiu identificar que os participantes do estudo em sua totalidade vivenciaram experiências traumáticas na infância, respondendo positivamente à presença de estresse precoce. O estresse precoce está associado ao desenvolvimento de psicopatologias na idade adulta e a literatura científica aponta que adultos expostos a estresse precoce podem apresentar maiores chances de danos psicológicos e transtornos mentais (22). Por outro lado, os estudos sobre estresse precoce consideram ainda o desenvolvimento de resiliência como um fator amenizador para sintomas depressivos associados aos traumas na infância (23). Dessa forma, considerou-se que esses profissionais ao vivenciarem o contexto da pandemia da COVID-19 possuíam maiores riscos para comprometimento da saúde mental e também prováveis fatores de resiliência.

O momento crítico vivenciado pelos PS do presente estudo, anuncia altas demandas e sobrecarga de trabalho. Dentre estes profissionais, 87,0% relataram que sua prática clínica estava sendo impactada negativamente e que trabalhavam, em média, 46,1 horas por semana. Há poucos estudos que abordam as iatrogenias no contexto da COVID-19, no entanto, há evidências que indicam associação de características e condições de trabalho, como sobrecarga e excesso de carga horária, com o comprometimento do desempenho profissional (4,14,24,25).

Somado a isso, o impacto sobre as funções cognitivas provocado pelo estresse e sobrecarga emocional, pode influenciar a prática clínica de PS e acarretar consequências negativas no cuidado dos pacientes (24,26).

De acordo com os resultados no presente estudo, o medo predominou dentre as emoções referidas pelos PS durante a pandemia da COVID-19, em concordância com relatos noutras pandemias, onde este sentimento apareceu de forma frequente (27).

Cabe salientar que a coleta de dados ocorreu em abril de 2020, quando a pandemia se agravou no Brasil e apenas 53,2% da amostra informou estar atuando no cuidado direto a pessoas diagnosticadas com COVID-19. Entretanto, evidenciou-se que 87,0% dos PS relataram sentir que a rotina de trabalho foi impactada pela pandemia, destacando-se assim, que o contexto pandêmico trouxe consequências nos PS para além do cuidado aos acometidos pela COVID-19. Na amostra estudada, 74,0% expressaram sentirem-se afetados emocionalmente pelo contexto pandêmico e o estresse percebido foi detectado, em nível de moderado a grave, em 94,8% dos PS.

O estresse é manifestado de forma expressiva nos contextos pandêmicos com frequências que superam os 37,0% (27). Especificamente sobre estresse percebido durante a COVID 19, os achados do presente estudo que alcançaram o valor médio de 29,3 (±6,5), assemelham-se aos valores observados em PS na Espanha (29,3 ±5,8), com predominância de mulheres nas pontuações mais altas (28). Na amostra do presente estudo, o estresse percebido apresentou correlação positiva com a ansiedade e a depressão, e correlação negativa com o tempo de sono.

Desordens do sono, como a insônia, vinculadas à pandemia, também vêm sendo relatadas por OS (27,28). Neste estudo observouse que 45,5% dos indivíduos alegaram dormir seis horas, em média, por dia, sendo que 33,8% admitiram ter um sono apenas “satisfatório” e 24,7% consideraram ter uma qualidade de sono "ruim" ou "muito ruim".

Estudos evidenciaram que a prevalência de ansiedade em PS, durante a COVID-19, varia de 23,2% a 44,6%(27,29). No presente estudo, a totalidade dos profissionais apresentou sintomas de ansiedade de moderada a grave, sendo que a maioria (54,5%) dos profissionais apresentaram ansiedade grave. Indivíduos com maiores pontuações para ansiedade apresentaram menores pontuações para o estado e as dimensões de mindfulness.

Sobre a sintomatologia depressiva, os valores relatados na literatura oscilam entre 22,8% e 50,4% entre PS(28). No presente estudo, 36,4% da amostra apresentou sintomas de depressão de leve a grave. Considera-se que este resultado, apesar de ser impactante e de estar alinhado com o reportado na literatura, pode ser subestimado, uma vez que profissionais da saúde se mostram particularmente relutantes em manifestar sentimentos, seja por se considerarem autossuficientes ou para evitar impactos nos familiares (5,27).

A sintomatologia depressiva mensurada nos PS apresentou relação com pontuações mais baixas para o estado de mindfulness e para as Facetas Observar, Não reagir, Não Julgar, Agir com Atenção (Piloto Automático) e Descrever Negativo; bem como relação positiva com o histórico de abuso e negligência emocional na infância. Uma revisão sistemática aponta diversos estudos que evidenciam relação inversamente proporcional do mindfulness disposicional com sintomas depressivos e padrões cognitivos negativos, como a ruminação (pensamentos negativos que se repetem e persistem na mente) e catastrofização (distorção cognitiva em que situações passadas e futuras assumem teor excessivamente pessimista), bem como aparece associado à melhora do processamento e regulação emocional (30).

A mensuração de mindfulness disposicional, caracterizado pela predisposição para estar consciente durante o cotidiano, evidenciou menores níveis de mindfulness referentes à faceta ‘Não reagir à experiência interna’. Este resultado apresenta coerência com altos valores apresentados pelo PS na avaliação do estresse percebido, uma vez que têm sido relatadas correlações negativas entre a faceta ‘Não Reagir’ e o estresse (13). Tal correlação foi corroborada no presente estudo.

Nas facetas Descrever Positivamente, Não reagir e Observar, os valores foram inferiores à média da escala sugerida para estas facetas. Com base no estudo original, baixas pontuações na faceta Observar relaciona-se com a dissociação, sintomas psicológicos e a supressão de pensamento; na faceta Não Reagir indica desatenção e um padrão de comportamento automático; e na faceta Descrever Positivamente mostra dificuldade em expressar/elaborar a própria experiência em uma perspectiva positiva (21). Tais resultados revelam características dos PS que podem resultar em maiores desafios para que estes possam vivenciar o contexto pandêmico, de modo a manterem a efetividade da prática profissional e a própria saúde mental.

As correlações inversas encontradas entre a maioria das facetas de mindfulness e os níveis de estresse percebido, ansiedade e depressão, revelaram que as habilidades de atenção plena se manifestaram transversalmente aos comprometimentos de saúde mental dos PS. Estresse, ansiedade e depressão são condições de saúde mental associadas a baixos níveis de atenção plena(31) e melhoram significativamente em pessoas que participam de programas de treinamento para prática de mindfulness (32).

O comportamento das variáveis investigadas (estresse percebido, ansiedade e depressão), indicativas de comprometimento da saúde mental dos PS, em relação às medidas de mindfulness, evidenciam que estratégias que aumentem o mindfulness disposicional poderiam ser consideradas para melhoria dos parâmetros de saúde mental dos PS. A potencialidade de intervenções baseadas em mindfulness para os PS, ancora-se em evidências robustas sobre o efeito da prática de mindfulness para diminuição do estresse, da ansiedade e da depressão (32).

Diante dos resultados do presente estudo, considera-se evidente a complexidade das variáveis envolvidas em uma situação de intensa vulnerabilidade para os PS como a pandemia da COVID-19, e a necessidade de estratégias de apoio que possam mitigar os efeitos psicogênicos deletérios a curto, médio e longo prazo.

CONCLUSÃO

Os profissionais de saúde participantes do estudo apresentaram alto nível de estresse percebido, sintomas de depressão e sintomas de ansiedade em níveis moderado e grave. O medo foi o sentimento mais vivenciado pelos participantes, seguido por incerteza, insegurança, angústia, ansiedade e impotência. As habilidades relativas a mindfulness mostram-se inversamente relacionadas aos comprometimentos de saúde mental investigados nos PS. A reatividade frequente frente às experiências, relatada pelos participantes, indicou baixa condição de manter a atenção plena, revelando o comportamento automático como um modo padrão de funcionamento desses profissionais. Estes achados fornecem evidências para a criação de programas em mindfulness específicos para profissionais de saúde atuando no contexto pandêmico.

As condições de saúde mental identificadas no presente estudo, constituem fatores de risco para o adoecimento dos PS e o comprometimento da assistência prestada. Postulam um cenário desafiador e preocupante, à medida que anunciam a necessidade de ações para garantir a saúde mental dos PS e a eficiência cognitiva e emocional destes para a prestação de cuidados durante e após a pandemia da COVID-19.

Limitações
A limitação do estudo é a amostragem por conveniência com representatividade desigual no que tange à origem dos participantes.

FINANCIAMENTO

Nenhum.

CONFLITO DE INTERESSES

Nenhum.

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