21 NOVIEMBRE
2017
Enfermeria21

Originales
Impacto de uma intervenção educativa no conhecimento da população de risco sobre a doença renal

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Autores/as:1 Andreia Freire de Menezes, 2 Mírzia Lisboa Fontes, 2 Malena de Carvalho Correia, 3 Drielli de Oliveira Santos, 4 Lully Crislaine Cunha Andrade, 5 Allan Dantas dos SantosCargo

1 Enfermeira. Doutoranda em Ciências da Saúde/UFS. Mestre em Ciências da Saúde Docente do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Aracaju, Sergipe, Brasil.
2 Enfermeira, Lagarto, Sergipe-Brasil.
3 Nutricionista Lagarto, Sergipe-Brasil.
4 Graduanda em enfermagem Lagarto,Sergipe-Brasil
5 Enfermeiro. Doutorando em Ciências da Saúde/UFS. Mestre em Biologia Parasitária Docente do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Sergipe (UFS)

Resumen Introducción: el estudio tiene como objetivo evaluar el impacto de una intervención educativa en el conocimiento de una población en riesgo de enfermedad renal crónica.
Método: se trata de un estudio pre-experimental de tipo OXO, no aleatorizado, con observación antes y después de la intervención, desarrollado para la realización de actividades de difusión relacionadas con el proyecto de extensión educativa "¿Los riñones son así? La prevención y el diagnóstico precoz de la enfermedad renal". La encuesta se realizó en cuatro etapas: 1º, evaluación clínica y nutricional; 2º, un pre-test para evaluar los conocimientos de la población sobre la enfermedad renal; 3º, intervención educativa y 4ª, aplicación de un post-test para evaluar los conocimientos adquiridos. Todos los análisis estadísticos se realizaron mediante el programa BioEstat (versión 5.0).
Resultados: participaron 51 individuos; 88,2% era mujer; la mayoría (37,3%) mayor o igual a 60 años de edad; 70,6% era una persona con hipertensión; 17,6% con diabetes, 94,11% tenía exceso de peso. Hubo una mejora significativa en el nivel de conocimiento después de realizar la intervención.
Conclusión: la intervención educativa ha demostrado ser muy eficaz, como se evidenció en la adquisición de conocimientos por

Palabras clave

insuficiencia renal crónica ; Educación para la Salud ; factores de riesgo.

Title: Impact of a new educational intervention on renal disease understanding in a high risk population
Abstract
Introduction: we aimed at assessing the impact of an educational intervention on the knowledge of a population with a high risk for chronic kidney disease.
Methods: this is an OXO type, non-randomized, pre-experimental study, based on a pre- post-intervention observation, that was carried out to implement diffusion actions related to the educational extension project "¿Los riñones son así? La prevención y el diagnóstico precoz de la enfermedad renal" (“How can kidneys be understood? Prevention and early diagnosis of kidney disease"). The survey included four steps:1st, clinical and nutritional assessment; 2nd, a pre-test to assess knowledge of people on kidney disease; 3rd, educational intervention; and 4th a post-test to assess acquired knowledge. All statistical analyses were performed with BioEstat software (version 5.0).
Results: fifty-one participants were includes; 88.2% were women; most participants (37.3%) were 60-years old or older; 70.6% had high blood pressure; 17.6% diabetes, 94.11% overweight. A significant improvement in knowledge after the intervention was found.
Conclusion: this educational intervention has proved very effective, as seen in knowledge acquisition by participants in post-test.

Keywords

chronic renal insufficiency; health education; risk factors.

Título: Impacto de una intervención educativa sobre el conocimiento de la enfermedad renal en población de riesgo
Resumo
Introdução: o estudo objetivou avaliar o impacto de uma intervenção educativa no conhecimento de uma população de risco sobre a doença renal crônica.
Método: trata-se de um estudo pré-experimental do tipo OXO, não randomizado, com observação antes e após intervenção, desenvolvido durante realização de atividades de extensão vinculadas ao projeto de extensão “Seus rins estão bem? Prevenção e diagnóstico precoce da doença renal”. A pesquisa foi realizada em quatro momentos: 1º momento foi realizada uma avaliação clínica e nutricional; no 2º momento foi aplicado um pré-teste com o objetivo de avaliar o conhecimento da população acerca da doença renal ; no 3º momento, realizou-se uma intervenção educativa e no 4º momento, a aplicação de um pós-teste para avaliar conhecimento adquirido. Todas as análises estatísticas foram realizadas pelo programa BioEstat (versão 5.0).
Resultados: participaram da pesquisa 51 indivíduos; 88,2% eram mulheres; a maioria (37,3%) com idade maior ou igual 60 anos; 70,6% hipertensos; 17,6% diabéticos, 94,11% apresentaram excesso do peso. Observou-se uma melhoria significativa no nível de conhecimento após realização da intervenção.
Conclusão: a intervenção educativa demonstrou ser bastante eficaz, pois foi evidenciada a aquisição de conhecimento pela população comprovado pelo pós-teste.

Palavras-chave

insuficiência renal crônica; Educação em Saúde; fatores de risco.

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Introdução

A doença renal está associada a um quadro de progressiva e irrecuperável perda da função normal dos rins (1,2). Caracteriza-se por redução da taxa de filtração glomerular (TFG) com consequente elevação dos níveis séricos de ureia e creatinina, retenção de sódio e água, aumento dos níveis de fosfato, redução do cálcio e acidose. Entre as principais complicações desses desequilíbrios destacam-se: a anemia, hipertensão arterial, hiperpotassemia e doença óssea (3).
O aumento da mortalidade por doença renal tem chamado a atenção das autoridades públicas. De acordo, com o censo de 2015 da sociedade brasileira de nefrologia, aproximadamente, 100 mil brasileiros faziam diálise, com taxa de 17.944 óbitos por ano (4-5).
As principais causas de perda da função renal são a hipertensão arterial (35% das causas), diabetes mellitus (28,5%) seguidas das glomerulonefrites (11,5%). Considerando a população brasileira maior de 18 anos, 23% da população é hipertensa, 5,6% diabética, 18% fumante, 48% estão com excesso de peso e 16% são obesos (IMC>30 kg/m²). Todos estes são fatores de risco que contribuem para a perda da função renal (6,7).
Por trás destes números estão alguns fatores determinantes que podem classificar grupos de risco para a doença renal, dentro desses grupos estão os diabéticos, hipertensos, pessoas com idade superior a 50 anos ou que tenham parentesco com portador de doença renal e usuários de medicações nefrotóxicas (7). A partir da identificação destes grupos, torna-se possível atuar na prevenção da doença renal por meio do controle dessas patologias de base, afim de evitar o desgaste diante do tratamento, que consiste em terapias renais substitutivas (TRS), classificadas em diálise (hemodiálise ou diálise peritoneal) ou transplante renal. Diante do conhecimento e identificação dos grupos de risco torna-se possível prevenir a doença renal e portanto, evitar suas complicações fisiológicas e psicológicas (9).
Atividades educativas em saúde são importantes no que se diz respeito à doença renal, uma vez que esta condição e seu tratamento provocam modificações físicas e emocionais que requerem transformações no convívio social do paciente (8). Vale ressaltar a importância da equipe multidisciplinar atuante em processos educativos como tal, uma vez que a saúde não é competência de apenas de um especialista, mas uma tarefa multiprofissional e interdisciplinar (10).
Após conhecer as condições clínicas e sociais da população estudada, o presente estudo teve como objetivo avaliar o conhecimento sobre a doença renal da população predisponente por meio de uma intervenção educativa utilizando uma abordagem multidisciplinar.

Métodos

Trata-se de um estudo pré-experimental do tipo OXO, não randomizado, com observação antes e após intervenção. O estudo foi realizado em uma unidade básica de saúde em um município do estado de Sergipe durante arealização de atividades de extensão vinculadas ao projeto “Seus rins estão bem? Prevenção e diagnóstico precoce da doença renal”. Participaram da pesquisa 51 idosos, de ambos os sexos, mediante os seguintes critérios de inclusão estabelecidos pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (6): ser hipertenso e/ou diabético, ter histórico familiar de doença renal, apresentar IMC ≥ 30 mg/m² e referir hábitos de automedicação.
A pesquisa ocorreu entre os meses de fevereiro a abril de 2015 e foi desenvolvida em quatro momentos: no primeiro momento, foi realizada uma avaliação clínica e nutricional dos participantes entre os dias 5 a 10 de fevereiro de 2015; o 2º momento, que consistiu na aplicação de um pré-teste (instrumento avaliativo do conhecimento dos indivíduos acerca da doença renal crônica), ocorreu no dia 12 de março de 2015; no dia 13 de marco de 2015, ocorreu o 3º momento da pesquisa através da realização de uma intervenção educativa; no 4º momento, um mês após a intervenção educativa, foi realizada a aplicação de um pós-teste. A aplicação do pré e pós-teste teve como objetivo avaliar o conhecimento adquirido pelos participantes a respeito da doença renal, seus fatores de risco e formas de prevenção através da intervenção educativa.
A intervenção educativa ocorreu por ocasião do “Dia Mundial do Rim” no dia 13 de março de 2015, de curta duração e que privilegiou a educação participativa, as crenças, as opiniões e as necessidades de aprendizagem, bem como a interação entre os pesquisadores e população-alvo, e contou com a participação de alunos dos cursos de enfermagem e nutrição.
A avaliação clínica foi uma etapa realizada para avaliar os valores da pressão arterial (PA), glicemia capilar e detecção de proteína na urina. Utilizaram-se esfigmomanômetro e estetoscópio para aferição da PA, glicosímetro para aferição da glicemia capilar e tiras para urianálise (Biocolor–Bioeasy®). A avaliação nutricional iniciou-se coma mensuração do peso, altura e circunferência da cintura. O peso e altura foram aferidos com o auxílio da balança e estadiômetro. O índice de massa corporal (IMC) foi calculado seguindo a relação entre peso corporal total (kg) e estatura (m²) e classificado segundo a World Health Organization (2000). A circunferência da cintura foi avaliada na distância média entre a última costela flutuante e a crista ilíaca, com fita métrica da marca cescorf, com precisão de 1 mm e utilizaram-se os pontos de corte proposto pela Organização Mundial de Saúde (2000). As medidas de peso, altura e circunferência da cintura, foram mensuradas conforme as técnicas propostas por Lohman, em 1988.
Houve entrega de panfletos e oficinas voltadas para conhecimento da função renal; prevenção, sinais e sintomas, diagnóstico e consequências da doença, alimentação e hábitos de vida saudáveis como forma de promoção e prevenção.
O pré e pós teste foi constituído por 10 perguntas abertas abordando os seguintes temas: estrutura e função renal; aspectos da doença renal, pressão arterial e glicemia capilar;fatores de prevenção da doença renal incluindo ingesta hídrica, prática de atividade física; alimentação saudável e exames de diagnósticos. Questão 1: Quantos rins o ser humano possui? Questão 2: Diga pelo menos uma função que o rim realiza. Questão 3: Diga o nome de pelo menos uma doença renal. Questão 4: Qual o valor da pressão normal? Questão 5: Qual o valor da glicemia capilar normal? Questão 6: Qual a quantidade de água que deve ser ingerida diariamente por uma pessoa? Questão 7: Diga pelo menos 2 fatores que ajudam a prevenir a doença renal. Questão 8: Diga pelo menos um benefício da prática da atividade física. Questão 9: Como deve ser a alimentação saudável? Questão 10: Quais exames são feitos para identificar a doença renal?
Os dados foram apresentados de forma descritiva e comparativa, representado através de tabela. As informações obtidas foram confrontadas e submetidas à análise através dos métodos estatísticos apropriados utilizando o programa BioEstat (versão 5.0) possibilitando o levantamento de todos os dados catalogados durante o estudo.
A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe CAAE: 31075214.6.0000.5546. Todos os sujeitos do estudo aceitaram participar da pesquisa por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A referente pesquisa cumpriu todas as exigências éticas regulamentadas pela resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde (CNS).

Resultados

A Tabela 1 apresenta as variáveis referentes ao perfil dos sujeitos da pesquisa.

Todos os sujeitos selecionados para a pesquisa (n= 51) participaram de todas as atividades propostas e responderam aos pré e pós-testes, não havendo perdas durante os momentos do estudo. Observou-se uma maior prevalência de indivíduos na faixa etária acima de 60 anos (37,3%) e mulheres (88,2%).

Quanto às condições clínicas dos pacientes constatou-se que 70,6% eram hipertensos e 17,6% eram diabéticos. Em relação ao estado nutricional, 94,1% apresentavam excesso do peso e 82,4% estavam com a circunferência abdominal aumentada; 15,7% apresentaram histórico familiar de doença renal e 39,2% tiveram a presença de proteína na urina.

Os hábitos de vida foram analisados levando em consideração três elementos essenciais para compreensão do estilo de vida adotado pelo indivíduo que são: consumo de bebida alcóolica, tabagismo e a prática de atividade física. Nesse contexto, 29,4% dos entrevistados praticavam atividade física, 15,7% eram tabagistas e 11,8%consumiam bebidas alcóolicas.

O resultado do pré e pós-teste aplicados estão descritos no Gráfico 1.

O Gráfico 1 apresenta a distribuição dos escores obtidos pela amostra nos referidos momentos de avaliação. Na avaliação geral inicial, acertaram em média 49% (DP= 40) dos itens do questionário. Na avaliação final, a média de acerto dos itens foi de 80,6% (DP= 30). Houve diferença estatisticamente significativa (p= 0,002) entre os escores antes e após a intervenção educativa.

Discussão

Este estudo explorou o conhecimento da população de risco a respeito da doença renal e fatores predisponentes, uma vez que a falta de informação a respeito dessa patologia dificulta a prevenção, diagnóstico precoce e até mesmo o tratamento. Tal fato foi evidenciado em outro estudo que avaliou a competência e o déficit para o autocuidado do cliente com doença renal crônica, no qual notou-se que parte das pessoas do estudo mostravam desconhecer a hipertensão arterial como uma das causas da doença renal, outra parte mostrou desconhecer como tratar o diabetes mellitus, bem como desconheciam algumas das complicações da Doença Renal Crônica (DRC) e até mesmo as funções dos rins (7).

A hipertensão arterial apresentou-se mais frequente na amostra estudada, quando comparada ao diabetes. A hipertensão prolongada e não controlada representa risco elevado de desenvolvimento de dano renal com estabelecimento da DRC, tal como o controle inadequado do diabetes desencadeia uma série de complicações, como a nefropatia diabética, complicação microvascular relacionada a essa doença (12-13).

O IMC e a circunferência abdominal mostraram-se bastante alterados entre os participantes da pesquisa. Nesse contexto, ressalta-se que o excesso de peso se constitui em importante fator que aumenta o risco de desenvolvimento de doenças como diabetes, hipertensão, dislipidemia, doença coronariana e acidente vascular cerebral (11). Dentre essas destacam-se a hipertensão e o diabetes, grandes percussores da DRC.

A literatura mostra que a falta de tempo de realizar refeições no domicílio, o tipo de ocupação, uso de drogas lícitas e ilícitas, também são fortes elementos que contribuem no surgimento dos fatores de risco–DM, HA e obesidade para a doença renal (14-17).

As estratégias pedagógicas de ensino-aprendizagem utilizadas para a construção do conhecimento sobre DRC na população de risco obtiveram êxito conforme demonstrado pelo maior porcentagem de acertos na maioria dos itens do pós-teste aplicado após a finalização da intervenção. Na avaliação inicial, a amostra apresentou um baixo índice de conhecimento. Após a intervenção houve melhora nos valores obtidos no questionário.

Constatou-se que no pré-teste a maioria dos indivíduos estudados desconhecia assuntos básicos sobre o sistema renal, fatores de risco para a doença renal, aspectos nutricionais, doenças correlacionadas, dentre outros. Em um estudo onde foi investigado o conhecimento dos diabéticos a respeito da doença, das formas de tratamento e complicações, bem como o conhecimento dos mesmos relacionados ao autocuidado e controle glicêmico, concluiu que nem todos os diabéticos estavam adequadamente orientados sobre a doença, seus cuidados e possíveis complicações (18).

Em outra pesquisa que objetivou avaliar o conhecimento do paciente renal crônico em tratamento sobre as modalidades dialíticas e terapias substitutivas, concluiu-se que a maior parte da população estudada apresentava um nível de conhecimento restrito ou mesmo insuficiente, a respeito da doença renal (19). Portanto, pode-se inferir que ainda existe um conhecimento deficiente das pessoas com relação à doença renal crônica, como também quanto aos seus fatores de risco, fato que torna preocupante a temática em questão.

Pode-se entender que o baixo nível socioeconômico, relacionado com a baixa escolaridade, é capaz de desencadear o surgimento de doenças crônicas quando manipula fatores de risco ligados diretamente à saúde e qualidade de vida, no entanto ainda se sabe pouco sobre a associação entre essas duas variáveis. 20 Contudo, com relação à doença renal crônica, estudo afirma que o baixo nível socioeconômico pode relacionar-se ao surgimento dessa doença por meio da dificuldade de acesso aos serviços básicos de saúde e controle inadequado de fatores de risco como a hipertensão e diabetes (21).

Faz-se importante ressaltar que a ausência de conhecimento sobre a doença renal e fatores associados, merecem notável atenção, uma vez que a conscientização das pessoas em geral constitui-se elemento fundamental para o controle e prevenção dessa condição crônica (21,22).
No pós-teste, etapa posterior às atividades educativas, a população demonstrou melhora no conhecimento, o que acontece também em outros que envolvem atividades educativas, tais estudos revelam que atividades desse tipo contribuem para melhora do conhecimento da população. A exemplo desse fato, em pesquisa realizada que investigou, sob o olhar dos profissionais, a prática da educação em saúde na prevenção da doença renal crônica em portadores de diabetes e/ou hipertensão arterial, que as ações educativas contribuem para prevenção da DRC (23). Entretanto, é importante destacar que faz-se necessário que essas ações se realizem de forma correta e continuada, a fim de haja uma manutenção da informação (24).

A explicação para tal fato justifica-se pela ação educativa desenvolvida. Desse modo, salienta-se a importância de ações, uma vez que atividades desse tipo são capazes de gerar impacto no conhecimento das pessoas, e de tal modo influenciar no controle de doenças, prevenir e retardar o surgimento de complicações agudas e crônicas, contribuindo para a promoção da qualidade de vida.

A atividade educativa desenvolvida com o grupo de risco demonstrou ser bastante eficaz uma vez que a aquisição de conhecimento por parte da população pode ser evidenciado por meio de um pós-teste. A atuação de uma equipe multidisciplinar é de grande valiano desenvolvimento de atividades sócioeducativas, cada especialidade traz consigo sua particularidadeque em conjuntoacrescenta bastante na dinâmica da ação. Para que a doença renal ocorra são necessários alguns fatores para seu desenvolvimento, dessa forma, torna-se necessário prevenir e tratar adequadamente as doenças de base e hábitos de vida que podem comprometer a saúde do indivíduo. Nesse contexto, a educação em saúde é a base para o conhecimento e conscientização da necessidade de mudança.

Conclusões finais

O nível conhecimento sobre doença renal crônica na população de risco foi aperfeiçoado pela realização da intervenção que abordou de forma específica conteúdos sobre prevenção, diagnóstico e controle. As estratégias ativas de ensino-aprendizagem demonstraram ser capazes de favorecer essa construção de conhecimento.

Nesse sentido, a educação em saúde trata-se de uma ferramenta de promoção da saúde pautada na transmissão e reprodução de conhecimentos para a população e contribui de forma significativa no processo de aprendizagem. No entanto, a intervenção em saúde traz consigo desafios, os indivíduos precisam ser incentivados a participar do processo de educação que deve ser prático, dinâmico e com mecanismos de orientação e didática atrativos.

Ações em saúde aumentam o conhecimento da população e podem transformar hábitos de vida e gerar um comportamento de adesão mas não identificam o indivíduo de maneira pontual e contínua. A falta de estímulo da autonomia de cada paciente e família na gestão do seu próprio cuidado, a falta metas negociadas por ambas as partes e de garantia de acompanhamento são fatores limitantes deste tipo de intervenção, caracterizando-se assim como uma ação isolada e independente. A maior fragilidade deste tipo de ação está em não identificar as limitações do indivíduo que dificultam a adesão às orientações adquiridas e não conhecer o contexto social ao qual o indivíduo encontra-se inserido.

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Cómo citar este artículo

Menezes AF, Fontes ML, Correira MC, Santos DO, Andrade ICC, Dos Santos AD. Impacto de uma intervenção educativa no conhecimento da população de risco sobre a doença renal. Rev. iberoam. Educ. investi. Enferm. 2017; 7(2):13-20.

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