3
Aladefe

Aladefe

ABRIL 2016 N° 2 Volumen 6

Riscos ocupacionais no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência

Sección: Originales

Cómo citar este artículo

Melo da Silva L, Barbosa Galdino AM, de Araújo Gomes AM, Freitas de Medeiros MMS, Lima Lopes MG, Melo da Silva L. Riscos ocupacionais no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Rev. iberoam. educ. investi. Enferm. 2016; 6(2):65-72.

Autores

1 Lizânia da Silva Melo, 2 Alessandra Monique Galdino Barbosa, 1 Andreza Maria Gomes de Araújo, 1 Maria Mayara Stephanne de Medeiros Freitas, 1 Maria das Graças Lopes Lima, 3 Liziane da Silva Melo

1 Acadêmica do 5º ano de enfermagem da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas.
2 Enfermeira, Residência em Urgência e Emergência. Professora da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas.
3 Acadêmica do 3º ano de fisioterapia da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas.

Contacto:

Email: lizania_mello@hotmail.com

Resumen

Introducción: los profesionales que trabajan en el servicio de atención móvil de emergencias están expuestos a los más variados riesgos, siendo la mayoría de los accidentes con objetos punzantes, seguido por accidentes resultantes de riesgos ergonómicos, además de físicos, exposición a sustancias explosivas, altas temperaturas, tensiones eléctricas, radiaciones, ruidos, productos químicos, manipulación de medicamentos, desinfectantes y accidentes automovilísticos. Así, se formula la pregunta de investigación: ¿cuáles son las principales causas de perfil de accidentes ocupacionales que los profesionales del servicio de atención móvil de urgencia (SAMU) de Maceió/ AL están expuestos? Presenta como objetivo la verificación de la aparición de las principales causas de accidentes de trabajo como los profesionales del Servicio Móvil de Emergencias (SAMU).
Metodología: se trata de un estudio descriptivo y exploratorio con delineamiento cuantitativo. La muestra fue de 60 profesionales del servicio: enfermeros, médicos y técnicos de enfermería.
Resultados: de entre los entrevistados, el 25% dijo haber sufrido accidentes de trabajo y el 23,3% desconoce la existencia de protocolo para los mismos. Los entrevistados citaron la disponibilidad de todos los EPI's por parte de la institución; sin embargo, el 51,7% no utiliza todos los equipamientos durante la atención.
Discusión: la alta prevalencia de accidentes en los profesionales puede estar relacionada a su mayor exposición durante la prestación de la atención, la realización de procedimientos invasivos y la necesidad de rapidez en la ejecución de procedimientos.
Conclusión: se propone que exista educación permanente para los profesionales con formación para que se demuestre la importancia de las medidas de bioseguridad y de la existencia de protocolos específicos en caso de accidentes, pues de esta forma el profesional estará siempre respaldado en el caso que ocurra algo que ponga en peligro su salud.

Palabras clave:

produtos biológicos ; efectos adversos ; riesgos laborales ; servicios médicos de emergencia ; profesionales de la salud

Title:

Occupational risks in mobile emergency service

Abstract:

Introduction: staff in mobile emergency services have very diverse risks, most of them resulting from accidents due to pointed objects, followed by accidents due to ergonomic risks, besides physical risks, exposure to explosive substances, high temperatures, electric tension, radiation, noise, chemicals, medicines handling, disinfectants, and traffic accidents. Thus, the following research question is posed: which are the main causes of occupational accidents staff in mobile emergency service is exposed to in Maceió/ AL? We aimed at checking the emergence of the main causes of occupational accidents among staff in the Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
Methods: this is a descriptive, exploratory study based on a quantitative outline. Our sample included 60 healthcare workers: nurses, physicians, and nursing technicians.
Results: among interviewees, 25% stated having suffered occupational accidents, and 23.3% did not know specific protocols for such accidents existed. Interviewees mentioned PPEs (personal protective equipments) were available from their institutions, but 51.7% of them did not use such equipments during healthcare.
Discussion: current high prevalence of occupational accidents could be related to a higher exposure during healthcare, use of invasive procedures, and the need for a quick action when performing procedures.
Conclusion: continued education is suggested for staff, in order to show the importance of biosafety measures and existing specific protocols for accidents. Such actions will ensure staff is always supported in case something occurs threatening their health.

Keywords:

biological products; adverse effects; occupational risks; emergency medical service; health professionals

Portugues

Título:

Los riesgos laborales en el Servicio Móvil de Emergencias

Resumo:

Introdução: os profissionais que trabalham no serviço de atendimento móvel de urgência estão expostos aos mais variados riscos, sendo a maioria dos acidentes com perfurocortantes, seguido por acidentes decorrentes de riscos ergonômicos, além de riscos físicos, exposição a agentes explosivos, altas temperaturas, tensões elétricas, radiações, ruídos, produtos químicos, manipulação de medicamentos, desinfetantes e acidentes automobilísticos. Diante do exposto, tem-se como pergunta de pesquisa: quais as principais causas de perfil de acidentes ocupacionais que os profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Maceió/AL estão expostos? Apresenta como objetivo: Verificar a ocorrência das principais causas de acidentes de trabalho com os profissionais do SAMU.
Metodologia: trata-se de um estudos descritivo e exploratório com delineamento quantitativo. Amostra foi composta por 60 profissionais do Serviço, sendo eles enfermeiros, médicos e técnicos de enfermagem.
Resultados: dentre os entrevistados, 25% referiram já ter sofrido acidente de trabalho, 23,3% desconhece a existência de protocolos para os mesmos. O total de abordados mencionou a disponibilização de todos os EPI’s por parte da instituição, no entanto 51,7% não utilizam todos os equipamentos durante os atendimentos.
Discussão: a alta prevalência de acidentes com esses profissionais pode estar relacionada à sua maior exposição durante os atendimentos, a realização de procedimentos invasivos e a necessidade da rapidez na execução de procedimentos.
Conclusão: propõe-se que exista educação permanente para os profissionais com treinamentos para que se demonstre a importância sobre medidas de biossegurança e sobre a existência de protocolos específicos em caso de acidentes, pois desta forma o profissional estará sempre respaldado caso aconteça algo que ponha em risco sua saúde.

Palavras-chave:

produtos biológicos; efeitos adversos; riscos ocupacionais; serviços médicos de emergência; profissionais da saúde

Introducción

Em 2002, no Brasil, regulamentou-se o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência- SAMU, com a publicação da Portaria nº 2.048/GM revogando a de nº 814 de 1º de junho de 20011.
Este é um importante componente da rede de atenção às urgências, que objetiva ordenar o fluxo assistencial e disponibilizar atendimento e transporte adequado, rápido e resolutivo a vítimas acometidas por agravos à saúde de natureza clínica, cirúrgica, gineco-obstétrica, traumáticas e psiquiátricas, reduzindo a morbimortalidade. É formado por uma equipe de profissionais, condutores, técnicos/auxiliares de enfermagem, enfermeiros, médicos, sendo estes atuante na parte assistencial, e outra equipe da parte administrativa do serviço (2).

A atuação dos profissionais de saúde no SAMU possui uma dinâmica a qual os expõe constantemente aos mais variados riscos, decorrentes da execução das mais diferentes atividades em condições insalubres. As chances de contaminação com materiais biológicos aumentam na proporção dos atendimentos, seja por contato direto ou indireto com as vítimas. Isso ocorre principalmente durante a manipulação de dispositivos intravenosos e outros instrumentos perfurocortante, contaminados com fluidos corpóreos e/ou extracorpóreo (3).
Acidentes com perfurocortante pode sem decorrentes da modalidade do serviço, pois os profissionais atuam diretamente em unidades móveis, onde na maior parte do tempo o automóvel encontra-se em movimento e/ou no local do desastre. Com isso acabam deparando-se com situações especialmente relacionada à ocorrência de incidentes e acidentes, tais como as operações de resgate na presença de grande volume de material biológico potencialmente contaminante, tornando-os mais vulneráveis (4).

Os trabalhadores da equipe do Atendimento Pré- Hospitalar (APH) móvel estão expostos aos mais variados riscos, sendo a maioria dos acidentes aos perfurocortantes, seguido por acidentes decorrentes de riscos ergonômicos, além de riscos físicos, exposição a agentes explosivos, altas temperaturas, altas tensões elétricas, radiações, ruídos, produtos químicos, manipulação de medicamentos, desinfetantes e outros, acidentes automobilísticos como espaço limitado e arranjo físico da ambulância; assistência à vítima com ambulância em movimento, acidentes de trânsito devido à velocidade da ambulância durante o deslocamento e atendimento da vítima (3,5).

Com base nesses riscos ocupacionais, a legislação brasileira contempla por meio de Norma Regulamentadora relativa à Segurança do Trabalho a existência de riscos peculiares a cada atividade profissional (6).

As NRs mais mencionadas nas indústrias trabalhista são NR 32 e NR 5, a primeira dispõe sobre a segurança e saúde no trabalho em estabelecimentos de assistência à saúde e a segunda trata da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA que tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador. A Norma Regulamentadora, NR 5, é bem clara em sua determinação, independente das atividades e profissão ela deve ser fidedignamente aplicada no local na qual o trabalhador está em risco constante, como é o caso do APH (6).

A portaria Ministerial nº 2.048/2001 define que os serviços de atendimento pré-hospitalar móvel devem contar com equipe de profissionais capacitados para esta modalidade de assistência, onde estes devem submeter-se à qualificação periódica, sendo as capacitações de obrigatoriedade da instituição através do Núcleo de Educação em Urgências – NEU, de acordo com a referida legislação (6,7).

Rotineiramente o trabalho dos profissionais que atuam no APH envolve procedimentos complexos que são realizados sob condições de estresse, uma vez que os pacientes assistidos neste serviço são em sua maioria críticos, com alto risco de morte, além dos riscos inerentes à forma de condução do veículo (ambulância) em alta velocidade, o que, particularmente, torna esses profissionais mais susceptíveis à exposição de acidentes durante os atendimentos (8).
Os profissionais do APH, a exemplo da vivência do SAMU, estão expostos constantemente aos diversos riscos ocupacionais inerentes a sua profissão, principalmente a equipe de enfermagem, pois estes são em maior quantidade no serviço e em sua maioria realizam a maior parte dos procedimentos.

Conhecer esses riscos proporcionará ao serviço, informações que poderão ser usadas para prevenção e sobre as medidas a serem tomadas no momento em que ocorra o acidente. Além do que conhecer os riscos em que os profissionais estão expostos pode colaborar com a política de prevenção de acidentes de trabalho e divulgar os índices dos acidentes que são subnotificados.

Assim, este estudo tem a seguinte pergunta de pesquisa: quais as principais causas de acidentes ocupacionais que os profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência de Maceió/AL estão expostos? E teve como objetivo principal conhecer as principais causas de riscos ocupacionais que os profissionais do Serviço Atendimento Móvel de Urgência estão expostos.

Métodos

Trata-se de um estudo descritivo e exploratório com delineamento quantitativo, realizado no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência de Maceió, Alagoas. A amostra foi formada por profissionais que trabalham na assistência do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência presentes nos mais diversos turnos de plantão.

Considerando o tipo de estudo foi utilizado o cálculo do tamanho da amostra do programa Open epi, sendo utilizado um intervalo de confiança de 95%, um erro de 5% e uma frequência hipotética de 6%, sendo necessário assim, uma amostra de 60 profissionais, divididos nas três categorias, enfermeiros, médicos e técnicos de enfermagem.

Adotou-se como critérios de inclusão todos os profissionais da assistência de ambos os sexos, que estavam presentes no momento da coleta de dados e de exclusão os profissionais que estavam de férias, os que se recusaram à entrevista, profissionais que estavam de licença maternidade, profissionais que no momento da entrevista estavam em ocorrências e os profissionais que não trabalhavam na assistência.

A coleta de dados ocorreu entre março de 2014 e setembro de 2014 e só foi iniciada após aprovação do Comitê de Ética em pesquisa da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas. As questões éticas foram preservadas em decorrência da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE, conforme diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos (resolução no 416/2012 do Conselho Nacional de Saúde).
Após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, tendo sido esclarecidas todas as dúvidas, foi aplicado um formulário estruturado de coleta de dados e informações que pretendia caracterizar o os riscos ocupacionais que os trabalhadores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência estavam expostos.

O levantamento dos dados desta pesquisa ocorreu através de visitas periódicas e disponibilidade de acessos as escalas de trabalho proporcionado pelas coordenações de enfermagem e médica do serviço em epigrafe, a partir desse conhecimento, foi feito um levantamento dos profissionais que estariam escalados para os dias da coleta de dados. No momento da pesquisa foram abordados os profissionais que estavam presentes na base do SAMU. Foi utilizado um formulário estruturado preenchido pelo pesquisador principal. O formulário estava composto por perguntas objetivas, com alternativas de respostas, onde abordava questões relacionadas à rotina de trabalho dos profissionais pesquisados.

Após a coleta, os dados e informações foram selecionados e tabulados em uma da planilha eletrônica (EXCEL 2007 para Windows Professional). Para a formação do banco de dados foi utilizado o software Epi-Info, versão 3.5.2 (CDC, Atlanta, USA). Os dados foram digitados em dupla entrada independente, com a finalidade de garantir a consistência e sua validação, após a comparação dos arquivos, foram corrigidos os valores divergentes.

A apresentação dos dados e informações foi por meio de gráficos e tabelas com análise descritiva dos resultados encontrados.

Resultados

Foram entrevistados 60 (n= 60) profissionais, dos quais 20 (33,33%) eram enfermeiros, 20 (33,33%) médicos e 20 (33,33%) técnicos de enfermagem. Do total de participantes, 35 (58,3%) correspondeu ao sexo feminino e 25 (41,7%) ao masculino.

Na presente pesquisa do total de entrevistados 25 (41,7%) afirmaram ter sofrido algum tipo de acidente de trabalho e 35 (58,3%) responderam negativamente. Na totalidade (100%) dos que afirmaram já ter passado por esse tipo de situação, todos estão inclusos na classificação de acidente mecânico.

Pode-se observa que nas categorias de enfermagem e médica ambos corresponderam a 33,33%, no entanto todos referiram já terem sofrido algum tipo de acidente de trabalho durante as ocorrências, onde a prevalência estão nos acidentes com perfurocortante, seguido por acidentes mecânicos. Na categoria de enfermagem os enfermeiros foram os que mais se acidentaram com perfurocortante. A Tabela 1 traz os resultados:

Quanto ao item sobre notificação dos acidentes 45 (75%) responderam que ocorre sim a notificação dos acidentes e os demais, 15 (25%), que não realizam esse procedimento.

Sobre a existência de algum tipo de protocolo assistencial relacionado a perfuro cortante, dos 43 (71,7%) entrevistados afirmaram ter ciência de sua existência, 14 (23,3%) relataram não conhecer e 3 (5%) se abstiveram de responder.

Com relação à carga horária semanal dos profissionais participantes 24 (40%) possuem carga horária de 40 horas, sendo 13 (54,2%) médicos, 7 (29,2%) enfermeiros e 4 (16,6%) técnicos/auxiliares de enfermagem. Na gráfico 1 é mostrado ainda outras cargas horárias referidas pelos profissionais entrevistados.

Em relação à disponibilização de EPI’s pelo serviço, 60 (100%) referiu que os materiais são sempre encontrados à disposição dos profissionais, quando questionados sobre a utilização destes durante os atendimentos, 60 (100%) afirmaram utilizá-los, no entanto, 29 (48,3%) afirmaram utilizar todos os EPI’s disponíveis (macacão, luva, óculos de proteção, máscara e botas), por outro lado 24 (40%) não utilizam óculos de proteção individual, 3 (5%) não utilizam macacão, 3 (5%) não utilizam máscara e 1 (1,7%) não utiliza botas.

Discussão

A dinâmica do atendimento de urgência realizado pela equipe de atendimento pré- hospitalar exige alto grau de domínio cognitivo, afetivo, psicomotor, além de rapidez e agilidade para desenvolver as atividades com competência, contribuindo para a melhor qualidade da assistência prestada a comunidade, pois, esta categoria se depara na maior parte do tempo com situações desconhecidas em ambientes diversos, muitas vezes desfavorável e insalubre (6).

Os trabalhadores do APH estão expostos a todos os riscos no ambiente de trabalho que atuam sejam eles químicos, físicos, mecânicos ou ergonômicos9. O estudo mostrou que a equipe de enfermagem, maior quantitativo entre os profissionais da saúde, foram os que mais se acidentaram por material perfurocortante seguido por acidente automobilístico.

No entanto, notou-se maior prevalência nos perfurocortante, pois esses profissionais são os que mais manipulam agulhas, cateteres e lâminas de bisturi, dados esses também encontrado em outros estudos, onde a alta prevalência de acidentes com esses profissionais pode estar relacionada à sua maior exposição durante um atendimento, a realização de procedimentos invasivos e a necessidade da rapidez na execução de procedimentos (2,5).

Grande parte dos profissionais que atuam no APH já sofreram algum tipo de acidente, principalmente com material perfurocortantes, este dado é bastante preocupante por se tratar de material invasivo, na maioria das vezes, contaminado com material biológico, podendo transmitir várias doenças, principalmente Hepatites e o Vírus da Imunodeficiência Adquirida (HIV) (10).

De acordo com os resultados encontrados nesta pesquisa, pode-se observar também em outros estudos que os profissionais do APH estão expostos a contraírem doenças infecto contagiosas de alta gravidade e letalidade (11).

Seguido pelos índices de acidentes com perfurocortante, os acidentes mecânicos também foram encontrados nesta pesquisa, sendo estes ocorrido por todas as categorias profissionais. Em sua maioria esses episódios estão relacionados ao transporte e à remoção das vítimas, à velocidade da ambulância, ao risco de incêndio e de queimaduras, mediante velocidade da ambulância. Os sujeitos informaram como acidentes mecânicos os automobilísticos, agressões físicas, torção de membro inferior, queda da viatura.

As remoções dos pacientes nem sempre são feitas em condições favoráveis, o relevo íngreme e escorregadio dificulta o acesso, podendo causar quedas, posturas incorretas, algias lombares, entre outros acidentes. As quedas podem ser agravadas durante atividade de carregamento das macas, acarretando também riscos para os pacientes (12).

Notou-se que existe subnotificação dos acidentes, isto acaba comprometendo as ações de prevenção de acidentes de trabalho, pois é importante que haja notificação dos casos para a Secretaria de Estado da Saúde–SESAU, através do Centro de Referência a Saúde do Trabalhador-CEREST e Ministério da Saúde - MS, assim esses órgãos terão conhecimento sobre esses índices e poderão tomar as medidas adequadas para solucionais tais questões.

Os profissionais foram questionados sobre a existência de protocolo assistencial para o caso de acidentes com perfurocortante, mais da metade dos entrevistados disseram conhecer, no entanto o restante afirmou desconhecer a existência do mesmo. Alguns autores afirmam que os profissionais devem registrar e notificar os acidentes, pois os mesmos estão respaldados legalmente caso apresentem complicações futuras decorrentes do acidente sofrido (13).

Soares (14) revela que no registro do acidente de trabalho devem constar sempre “as condições do acidente (data, hora, tipo de exposição, área corporal atingida, material biológico envolvido na exposição, utilização ou não do equipamento de proteção individual pelo profissional de saúde, avaliação do risco-gravidade do acidente, local e causas do acidente), os dados do paciente, fonte (identificação, dados sorológicos e/ou virológicos e dados clínicos), os dados do profissional de saúde (identificação, ocupação, idade, data de coleta e os resultados de exames laboratoriais, uso ou não de medicamentos antiretrovirais, uso ou não de hemoglobunina hiperimune e vacina para hepatite B, uso de medicação imunossupressora ou história de doença imunossupressora), a conduta indicada após o acidente, o planejamento assistencial e o nome do responsável pela condução do caso.

A intensa carga horária identificada nos profissionais que participaram desse estudo contribui para aumento dos acidentes de trabalho. Em alguns trabalhos este fator é identificado como uma situação de risco para a ocorrência de acidentes ocupacionais, pois o cansaço pode estar diretamente ligado a esses acontecimentos, assim, tal dado não deve ser ignorado, principalmente ao considerar as peculiaridades desses serviços. Problemas sociais, familiares e de saúde nos trabalhadores, especialmente distúrbios de sono, distúrbios alimentares, dificuldade de concentração e atenção e fadiga, são fatores que estão diretamente correlacionados à intensa carga horária de trabalho (2-6).

O SAMU disponibiliza os EPI’s a seus trabalhadores, atendendo a recomendação da NR 5 e NR 32, no entanto, existem profissionais que acabam negligenciando essa prática. Os EPI’s indispensáveis para uso são macacão, luva, óculos de proteção, máscara e botas, sendo o maior índice de não utilização para os óculos de proteção, seguido por máscaras e macacão. Os maiores fatores de riscos estão relacionados a não utilização dos EPI’s, uma vez que doenças infecto contagiosas foram descritas como a invasão e a multiplicação de microrganismos dentro ou não dos tecidos do corpo, produzindo assim sinais e sintomas como uma resposta imunológico (14).

Gir (15) ressalta que “o trabalhador que não reconhece sua vulnerabilidade à infecção predispõe-se à exposição a patógenos, como exemplo, a situação em que o indivíduo utiliza os EPI’s somente na prestação de assistência ao paciente cujo diagnóstico é conhecido”
Sendo assim, nota-se que existem altos riscos os quais os trabalhadores estão sujeitos devido a não utilização correta dos EPI’s disponibilizados para todos os profissionais pelo serviço. É importante intensificar a necessidade de uso desses equipamentos através da educação permanente sobre as recomendações previstas na NR-5 e rotinas previstas na NR-32, pois os mesmos também são responsáveis legalmente por sua proteção individual (11).

Torna-se necessário que os profissionais do estudo conheçam os fatores de risco inerente a atuação que estão expostos, as medidas protetoras para evitar acidentes e consequentemente doenças ocupacionais. No entanto, os resultados da pesquisa nos leva a acreditar que tais conhecimentos são negligenciados por parte dos entrevistados.

Conclusão

Baseado nos resultados da pesquisa pode-se inferir que os acidentes com material biológico são os mais frequentes entre os profissionais do SAMU, no entanto apesar dos perfurocortantes serem a maior causa dos acidentes é importante ressaltar os acidentes mecânicos, pois será possível buscar medidas para melhoria do ambiente de trabalho e de um controle mais efetivo dos riscos a que estão expostos os trabalhadores.

Constatou-se também que os profissionais não usam em sua totalidade todos os EPI’s, sendo os óculos de proteção o mais negligenciado. Os registros de acidentes de trabalho são subnotificados, isso se dá principalmente pela negligência dos profissionais nos registros de acidentes. Outro ponto importante é o desconhecimento dos protocolos específico nos casos de acidentes de trabalho.

Dentre os fatores que contribuem para a ocorrência de acidentes está a intensa carga horária, pois muitos profissionais possuem mais de um emprego, isto acaba causando sobrecarga, acúmulos de jornada de trabalho, dificuldade de concentração, atenção e fadiga.

Considera-se que se faz necessário dar continuidade ao estudo realizado, para que através dos dados científicos obtidos, a equipe do SAMU possa refletir sobre sua prática, além de implementar a Educação Permanente com vistas à elaborar, aplicar e avaliar estratégias preventivas para uma prática segura. Torna-se necessário ainda aplicar medidas de direção defensiva com os motoristas das ambulâncias, esses conduzem os veículos sob diversos ambientes e diferentes condições climáticas expondo profissionais e pacientes a diversos tipos de acidentes. Essas medidas devem servir como um instrumento a serviço da motivação para orientar trabalhadores e gestores sobre a problemática aqui desvelada.

Bibliografía

1.    Barbosa AMG, França SPS, Silva GV, Leandro EFO, Silva NO. Análise da Implantação das Bases Descentralizadas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência em Alagoas, Brasil. Revista Cubana de Medicina Intensiva y Emergencia, Havana. 2013.
2.    Tipple AFV, Silva EAC, Teles SA, Mendonça KM, Souza ACS, Melo DS. Acidente com material biológico no atendimento pré-hospitalar móvel: realidade para trabalhadores da saúde e não saúde. Rev Bras Enferm, Brasília. 2013; 66(3):378-84.
3.    Machado CV, Salvador FGF. Serviço de Atendimento Móvel de Urgência: análise da política brasileira. Rev Saúde Pública. 2011; 45(3):519-28.
4.    Lúcio GM, Gusmão CMP, Torres MC. Riscos ocupacionais do atendimento pré hospitalar: Uma revisão bibliográfica. Interfaces Científicas -Saúde e Ambiente, Aracaju. 2013; 1(3):69-77.
5.    Soares JCS. Situações de riscos ocupacionais percebidas pelos Trabalhadores de um Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) [dissertação]. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina/ UFSC; 2006. 160 p.
6.    Zapparoli ASM, Palucci HM. Risco ocupacional em unidades de Suporte Básico e Avançado de Vida em Emergências. Rev. bras. enferm. 2006; 59(1):41-6.
7.    Portaria nº 1.601, de 7 de julho de 2011 (BR) [Internet]. Estabelece diretrizes para a implantação do componente Unidades de Pronto Atendimento. Ministério da Saúde. [Internet] 2011 [acceso 16 marzo 2016]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt1601_07_07_2011_rep.html
8.    Coelho HS, Schneider SK. Acidentes e lesões ocupacionais em um serviço de atendimento pré-hospitalar de uma rodovia no interior de São Paulo. Revista da escola de enfermagem. 2009; 43(3):677-83.
9.    Gomes BB, Santos LW. Acidentes laborais entre equipe de atendimento pré-hospitalar móvel (Bombeiros/Samu) com destaque ao risco biológico. Revista Gomes & Santos. 2012; 1(1):40-9.
10.    Oliveira AC, Lopes ACS, Paiva MHRS. Acidentes ocupacionais por exposição a material biológico entre a equipe multiprofissional do atendimento pré-hospitalar. Rev. Esc. Enferm USP. 2009; 43(3):677-83.
11.    Oliveira, R.S. Um estudo sobre o risco ocupacional em atendimento pré- hospitalar [monografia]. São Paulo: Faculdade Redentor- Instituto ITESA; 2012.
12.    Silva APSM. Exposição a riscos ocupacionais na visão da equipe de enfermagem do SAMU [monografia]. Picos: Universidade Federal do Piauí; 2012.
13.    Marziale MHP; Nishimura, KYN; Ferreira MM. Riscos de contaminação ocasionados por acidentes de trabalho com material perfurocortante enfermagem às precauções. Revista Escola de Enfermagem USP. 2004; 38(3):245-53.
14.    Soares JCS. Situações de riscos ocupacionais percebidas pelos Trabalhadores de um Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) [dissertação]. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina; 2006. 160 p.
15.    Gir E, Takahashi RF, Oliveira MAC. Biossegurança em DST/AIDS: condicionantes da adesão do trabalhador de enfermagem às precauções. Revista Escola de Enfermagem USP. 2004; 38(3):245-53.