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ABRIL 2021 N° 2 Volumen 11

PERCEPÇÃO DA EQUIPE DE ENFERMAGEM SOBRE O CUIDAR DA CRIANÇA COM CÂNCER HOSPITALIZADA: REVISÃO INTEGRATIVA

Sección: Revisiones

Cómo citar este artículo

Da Silva Oliveira AB, Santos Anchieta J, Yuriko Kameo S, Campos Verdes Rodrigues ID, de Andrade Silva B, Freire de Menezes A. Percepção da equipe de enfermagem sobre o cuidar da criança com câncer hospitalizada: revisão integrativa. Rev. iberoam. Educ. investi. Enferm. 2021; 11(2):27-38.

Autores

1 Ana Beatriz da Silva Oliveira, 1 Joyce Santos Anchieta, 2 Simone Yuriko Kameo, 3 Iellen Dantas Campos Verdes Rodrigues, 1 Bruno de Andrade Silva, 4 Andreia Freire de Menezes

1 Graduada em Enfermagem. Universidade Federal de Sergipe Campus Professor Antônio Garcia Filho. Lagarto-Sergipe, Brasil. Aracaju-Sergipe (Brasil).
2 Doutora em Enfermagem. Professora do Departamento de Educação em Saúde da Universidade Federal de Sergipe Campus Professor Antônio Garcia Filho. Lagarto-Sergipe (Brasil).
3 Doutora em Enfermagem. Professora do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Sergipe Campus Professor Antônio Garcia Filho. Lagarto-Sergipe (Brasil).
4 Doutora em Ciências da Saúde. Professora do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Sergipe Campus Professor João Cardoso Nascimento. Aracaju-Sergipe (Brasil).

Contacto:

Email: beatrizdso@gmail.com

Resumen

Introducción: el cáncer es una enfermedad que impone un gran sufrimiento biopsicosocial y trae consigo un estigma relacionado con la muerte. El proceso de hospitalización puede ser muy traumático para el niño, los procedimientos invasivos suelen predisponer al miedo. El equipo de enfermería tiene un papel principal en la atención humanizada y en enfrentar el miedo, la angustia y el estrés experimentado durante los periodos de hospitalización. Por lo tanto, este estudio tuvo como objetivo analizar la producción científica relacionada a la percepción del equipo de enfermería sobre el cuidar del niño oncológico hospitalizado.
Materiales y método: se trata de una revisión integrativa de la literatura, con búsqueda en las bases de datos SCIELO, MEDLINE, LILACS y BVS, se utilizaron los siguientes descriptores: enfermería oncológica; niño; atención de enfermería, combinados a través de la lógica booleana "AND".
Resultados: inicialmente fueron encontrados 510 artículos en las bases de datos, después de la selección restaron 21. Los estudios fueron categorizados en tres temáticas: Sentimientos y reacciones vivenciadas por el equipo de enfermería, Interacción entre equipo de enfermería, niño y familia y Acciones de cuidar de la enfermería.
Conclusiones: la mayoría de los estudios encontrados en la investigación fueron publicados en portugués, estos datos convergen con los orígenes de las publicaciones, la mayor parte de las cuales son de Brasil. Debido al tema abordado en esta investigación la mayoría de los estudios incluidos fueron de naturaleza cualitativa.

Palabras clave:

Enfermería oncológica ; niño ; atención de enfermería

Title:

Nursing team's perception of caring for the hospitalized child with cancer: an integrative review

Abstract:

Introduction: cancer is a disease that results in huge biopsychosocial suffering and is associated to death-related stigma. The hospitalization process can be very stressful for the child, with invasive procedures often predisposing to fear. The nursing team has a major role in humanized care and in coping with the fear, distress and stress experienced during hospitalization periods. Therefore, the aim of this study was to analyze the scientific literature related to the nursing team's perception of caring for the hospitalized oncologic child.
Material and Methods: this was an integrative literature review, with a search in SCIELO, MEDLINE, LILACS and BVS databases, using the following descriptors: oncology nursing; child; nursing care, combined by means of the Boolean operator "AND".
Results: 510 articles were initially found in the databases; after the selection, 21 remained. The studies were categorized into three topics: feelings and reactions experienced by the nursing team; interaction between the nursing team, the child and the family; and nursing care actions.
Conclusions: most studies found in the research had been published in Portuguese, which is consistent with the fact that most publications were from Brazil. Due to the topic addressed in the current research, the majority of studies included were qualitative. 

Keywords:

oncology nursing; child; nursing care

Portugues

Título:

Percepción del equipo de enfermería sobre el cuidado del niño con cáncer hospitalizado: revisión integrativa

Resumo:

Introducción: el cáncer es una enfermedad que impone un gran sufrimiento biopsicosocial y trae consigo un estigma relacionado con la muerte. El proceso de hospitalización puede ser muy traumático para el niño, los procedimientos invasivos suelen predisponer al miedo. El equipo de enfermería tiene un papel principal en la atención humanizada y en enfrentar el miedo, la angustia y el estrés experimentado durante los periodos de hospitalización. Por lo tanto, este estudio tuvo como objetivo analizar la producción científica relacionada a la percepción del equipo de enfermería sobre el cuidar del niño oncológico hospitalizado.
Materiales y método: se trata de una revisión integrativa de la literatura, con búsqueda en las bases de datos SCIELO, MEDLINE, LILACS y BVS, se utilizaron los siguientes descriptores: enfermería oncológica; niño; atención de enfermería, combinados a través de la lógica booleana "AND".
Resultados: inicialmente fueron encontrados 510 artículos en las bases de datos, después de la selección restaron 21. Los estudios fueron categorizados en tres temáticas: Sentimientos y reacciones vivenciadas por el equipo de enfermería, Interacción entre equipo de enfermería, niño y familia y Acciones de cuidar de la enfermería.
Conclusiones: la mayoría de los estudios encontrados en la investigación fueron publicados en portugués, estos datos convergen con los orígenes de las publicaciones, la mayor parte de las cuales son de Brasil. Debido al tema abordado en esta investigación la mayoría de los estudios incluidos fueron de naturaleza cualitativa.

Palavras-chave:

enfermagem oncológica; criança; cuidados de enfermagem

Introdução

O câncer é uma doença que impõe grande sofrimento biopsicossocial, traz consigo estigma relacionado à morte, embora se saiba que em muitos casos a cura é possível, dependendo principalmente, da localização do tumor e do seu estágio de desenvolvimento (1).
A assistência em oncologia se desenvolve pelo cuidado preventivo, curativo e paliativo. O cuidado preventivo no campo da pediatria oncológica ocorre através do aconselhamento genético e de orientações acerca de hábitos de vida saudável. O curativo envolve as fases de diagnóstico e tratamento; nessa fase, o controle é o acompanhamento ambulatorial após o término do tratamento e tem como finalidade verificar se houve danos decorrentes do período de tratamento. O cuidado paliativo deve ser gradual e iniciado quando o paciente for diagnosticado como fora de possibilidades de cura (2).
O Câncer infantojuvenil corresponde a 1 a 4% do total de tumores malignos, acomete crianças e adolescentes entre 0 e 19 anos, sendo mais comuns as leucemias, linfomas, outros tumores epiteliais e os tumores do sistema nervoso central (3). Nas últimas décadas, o progresso no tratamento do câncer infantojuvenil foi extremamente significativo. Atualmente, em torno de 80% das crianças e adolescentes acometidos de câncer podem ser curados, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados e hospitais (4).
O processo de hospitalização pode ser muito traumático para a criança, os procedimentos invasivos podem ser predisponentes de medo. O hospital tende a ser um local assustador (5). A mudança repentina faz com que a família fique diante da necessidade de se reorganizar de modo a enfrentar os desafios resultantes da doença, como problemas econômicos, representação social negativa do câncer e conflitos familiares já existentes (6).
A equipe de Enfermagem tem papel primordial na assistência humanizada e no enfrentamento de temor, angústia e estresse vivenciados nos períodos de internação (5). O profissional de enfermagem deve ter conhecimento e aplicar técnicas que possibilitem conforto e bem-estar ao paciente e seus familiares de acordo com suas necessidades. O trabalho em oncologia pediátrica, demanda da equipe, além do conhecimento técnico e científico, afetividade na oferta do cuidado à criança e à família agindo de maneira, crítica e reflexiva (7).
Desse modo, entende-se que o trabalho da enfermagem oncológica é desgastante, pois essa área lida direta ou indiretamente com questões humanas significativas, ligadas à vida e a morte (8).
Este estudo tem como objetivo descrever a produção científica relacionado à percepção da equipe de enfermagem sobre o cuidar da criança oncológica hospitalizada.

Método

Trata-se de um estudo bibliográfico de caráter descritivo, utilizando o método da revisão integrativa. Este tipo de pesquisa é composto por seis fases: elaboração da pergunta norteadora, busca na literatura, coleta de dados, análise crítica, discussão dos resultados e apresentação da revisão integrativa (9).
O levantamento bibliográfico ocorreu em janeiro de 2018; utilizou-se a seguinte questão norteadora: Qual a percepção da equipe de enfermagem sobre o cuidar da criança oncológica hospitalizada? A busca dos artigos ocorreu nas seguintes bases de dados: Scientific Eletronic Library Online (SciELO), Literatura Internacional em Ciências da Saúde (MEDLINE), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Utilizaram-se os seguintes descritores em ciências da saúde: enfermagem oncológica; criança; cuidados de enfermagem, combinados por enfermagem oncológica AND criança AND cuidados de enfermagem, através da lógica booleana "AND".
A seleção dos estudos foi realizada mediante a leitura de títulos e resumos, foram considerados os critérios de inclusão: artigos que abordassem a percepção da equipe de enfermagem no contexto de oncologia pediátrica; disponibilidade da publicação na íntegra; estudos disponíveis online em inglês, português ou espanhol publicados no período delimitado de 2007-2017, por tratar-se de uma revisão integrativa, 10 anos é um tempo razoável. Como critérios de exclusão: teses, dissertações, artigos de revisão e estudos primários não caracterizados como pesquisa.

Resultados e discussão

Um total de 510 artigos foram encontrados, ao final do processo de filtragem 21 estudos foram selecionados e mantidos como participantes desta revisão (Tabela 1). Dos artigos encontrados, 18 são de língua portuguesa e 03 de língua inglesa. Quanto ao ano de publicação foram encontradas diferentes datas destacando-se o ano de 2012 correspondendo a 28% dos artigos e o ano de 2015 com 24%. Publicações de diferentes países foram selecionadas, o país que mais prevaleceu foi o Brasil com 81%, houve ainda estudos provenientes da Colômbia, Irlanda, Suécia e Estados Unidos. No delineamento dos estudos, verificou-se que os artigos eram em sua maioria estudos qualitativos, sendo apenas um estudo quali-quantitativo.
Após a análise dos artigos, seus resultados foram categorizados em três temáticas, sendo elas: (01) Sentimentos e reações vivenciadas pela equipe de enfermagem, (02) Interação entre equipe de enfermagem, criança e família, (03) Ações de cuidar da enfermagem.

Categoria 1: “Sentimentos e reações vivenciadas pela equipe de enfermagem”
Corresponde a 25% dos estudos selecionados. A Tabela 2 representa esses estudos (E) segundo título, objetivos e resultados.
Os artigos E4, E5 e E10, enfocam que todos os enfermeiros devem sempre estar presentes ao lado do paciente, dando uma maior atenção ao estado emocional e especificidade ao prestar a assistência de enfermagem. Tudo isso para promover a vida e aliviar ao máximo o sofrimento do paciente, não o deixando morrer sozinho. Os profissionais de enfermagem no E19 referem o impacto emocional nas famílias ao receberem o diagnóstico, que foi descrito como devastador. Nesse contato intenso os cuidados são especiais, e para isso é necessário uma afinidade e afetividade do paciente com o profissional de enfermagem (10-13).
Muitas das vezes, como mencionado nos artigos E4 e E10, os profissionais de Enfermagem não deixam transparecer a real emoção frente ao paciente pediátrico oncológico, dando um ar de naturalidade para parecer parte da rotina do serviço. Alguns profissionais preferem evitar esse envolvimento com a criança em processo de morrer (10,12).
Em contrapartida, outros estudos mostram que ao cuidar de um paciente oncológico que se encontra hospitalizado ou em fim de vida, a Enfermagem desenvolve ações que melhoram a qualidade de vida do indivíduo. Usam de estratégias para interagir com as crianças e seus familiares, parar formar vínculo e buscar afastar o sentimento de solidão que o ambiente hospitalar acarreta, uma vez que não é um local familiar para a criança (14). Esses sentimentos ocasionam sofrimento em toda a equipe, pois passam a se questionar o que poderia ter feito para recuperar a saúde ou, manter a qualidade vida da criança (15).
Os artigos E5, E13 e E14 relatam que o trabalho com pacientes oncológicos pediátrico traz sentimento de limitação e impotência para o profissional Enfermeiro. Vem à tona a reflexão de que a criança com câncer é um ser frágil para suportar tamanho sofrimento. Isso pode gerar depressão, culpa, tristeza, ansiedade, frustação, piedade e medo pelo envolvimento com o paciente. O E14 ressalta o desgaste desse cotidiano, especialmente nos casos em que a cura é remota e há a não aceitação dos pais em relação à doença (11,16,17).
A equipe de enfermagem que trabalha com pacientes pediátricos oncológicos leva em sua experiência representações negativas da doença, pois a morte é considerada um cotidiano assistencial e leva o profissional a se questionar sobre a qualidade da assistência (18).
Já no artigo E13 foi mencionado que assistir ao paciente oncológico é muito gratificante, é inevitável a formação de um vínculo entre os profissionais e a criança oncológica. A equipe de Enfermagem deve ter afinidade na área e identificar-se com o trabalho que é desenvolvido (16).
Os artigos E4, E10 e E14, explicam que o profissional de enfermagem se envolve com as crianças oncológicas hospitalizadas. Isso é devido ao contato com o sofrimento desses pacientes durante todo o processo terapêutico, a longa hospitalização, a forma que o profissional lida com a morte (10,12,17).
O profissional de Enfermagem está em constante proximidade emocional com os pacientes pediátricos oncológicos hospitalizados. Sofre com os sentimentos apresentados diante do prognóstico do paciente, o temor diante do desconhecido, e o medo por algum membro da família vir a desenvolver o câncer. Com isso, o profissional de Enfermagem deve saber lidar com esses sentimentos, para não surgir conflitos no profissional diante de uma situação tão sensível (10).
Os artigos E5, E13 e E14, dão ênfase à necessidade de separar o profissional do emocional. O ideal seria que, os profissionais tivessem apoio psicológico fornecido pela instituição, para estarem bem emocionalmente e conseguir realizar o trabalho (11,16,17). Se faz necessário educação continuada para amparar o profissional em relação aos sentimentos que possam surgir (19).
O profissional de Enfermagem tem o dever e a necessidade de se comprometer emocionalmente, pois essa relação é vital para conhecer o paciente e atender as reais necessidades das crianças oncológicas e seus familiares, a fim de oferecer uma assistência de qualidade (15). Porém, diante de alguns relatos mencionados anteriormente, esse dever imposto necessita ser avaliado, cada um reage de forma singular à dor do outro, sendo assim, é importante o apoio psicológico ao profissional.
No E13 a equipe de Enfermagem usa estratégias para lidar com suas emoções, pois ao assistirem às crianças com câncer se sobressaem mecanismos de defesa ou de ajustamento como o da negação e o da repressão. Dentre essas estratégias, a manifestação da fé pela equipe, as crianças e suas famílias, se mostra importante (16).
O apoio emocional para os profissionais de enfermagem que lidam com pacientes oncológicos pediátricos é valioso, pois eles estão em contato direto com a luta, o sofrimento, morte dos pacientes (20).

Categoria 2: “Interações entre equipe de Enfermagem, criança e família”
Corresponde a 25% dos estudos selecionados. A Tabela 3 representa esses estudos (E) segundo título, objetivos e resultados.
O estudo E12 traz que a experiência dolorosa vivenciada pelo paciente, demanda cuidados que transcendem a dimensão física do corpo e vislumbram o homem como um ser complexo (21). Em E6, E10, E11 e E18, fica claro que devido ao longo período de internação, os profissionais têm um alto nível de interação com a criança e sua família. Essa interação resulta em envolvimento, empatia, apego, afinidade e criação de vínculo. Tal vínculo é visto como um aliado na prestação do cuidado. O retorno do carinho pelas crianças hospitalizadas é considerado uma grande recompensa profissional (12,22-24).
Os estudos E6, E10 e E12 evidenciam que um dos pilares para o bom relacionamento e prestação eficiente de um cuidado integral e humanizado, é a comunicação, seja ela verbal ou não verbal. A comunicação é um processo ativo, de escuta que exige atenção e é considerada uma das estratégias para criação de vínculo. É considerada eficaz quando não há apenas troca de palavras, mas sim a expressão de sentimentos, vontades e expectativas; criando um vínculo de confiança do profissional, que se sente satisfeito ao prestar um cuidado autêntico (6,12,21).
Todos os estudos dessa temática foram expressivos ao afirmar que a família e a criança hospitalizada são indissociáveis no cuidado. Os profissionais buscam fornecer o máximo de conforto para a criança e sua família, ajudando a enfrentar o medo da morte e outras inseguranças. Os familiares se sentem melhor ao saber que a criança não sofre.
Os estudos E11 e E18 afirmam que o cuidado vai além do que se pode ser aprendido com teoricamente, é preciso desenvolver habilidades, atitudes e conhecimentos humanísticos que identifiquem as reais necessidades da criança hospitalizada e sua família. A assistência não deve ser focada apenas nos cuidados técnicos, normas, rotinas, medicações e aparelhos. Técnica, intuição, comunicação, acolhimento, escuta ativa, diálogo e sensibilidade devem estar atrelados para o processo do cuidar se tornar eficaz (23,24).
O artigo E5 destaca a idade como diferencial na compreensão do tratamento do câncer, pois influencia na forma dela vivenciar a doença (11). Porém, a literatura afirma que independentemente da idade da criança, ela tem capacidade de entender a realidade da doença e sua gravidade (25).
O artigo E5 mostra que quando as crianças possuem informações detalhadas sobre a doença e o tratamento elas passam a enfrentar a doença de forma mais positiva (11). Pode haver alterações na aparência física, orgânica e psicossocial da criança, o que faz surgir vergonha em relação a alteração da sua autoimagem, sentimento de raiva e negação da realidade, passar informações sobre seu prognóstico ajuda na aceitação das modalidades terapêuticas que são aplicadas (26).

Categoria 3: “Percepções das práticas de enfermagem”
Corresponde a 50% dos estudos selecionados. A Tabela 4 representa esses estudos (E) segundo título, objetivos e resultados.
Quando a criança muda o ambiente de convivência, de sua casa para o hospital, surge uma identificação com os profissionais de saúde, em especial os Enfermeiros (27).
Os estudos E1, E2, E3, E8, E9, E10, E16 e E17, abordaram que os profissionais devem, através de atendimento ativo e integral, fornecer o máximo de conforto para a criança e sua família, ajudando-as a enfrentar o medo e a insegurança, demonstrar interesse nas necessidades do paciente e da família. Sempre prevalecendo a autonomia familiar e o desejo da criança (1,12,18,27-31).
Em E1, E2, E3, E8, E9, E15 e E17 é abordado a questão da dor, pois esta pode se manifestar de diversas maneiras na criança. A equipe sente dificuldade para mensurar a dor corretamente e promover seu alívio, mesmo utilizando a sistematização da assistência de enfermagem (SAE) e a classificação das intervenções de enfermagem (NIC). Além do processo farmacológico para o alívio, tem as medidas de conforto, alterações no ambiente, massagem, aplicação de calor, atividades lúdicas. A enfermagem deve ser honesta com os pais, prover escuta ativa, toque terapêutico e tranquilizar fornecendo informações com empatia (1, 28-32).
A dor vivenciada pelo paciente em cuidado paliativo, é complexa e inclui aspectos físicos, mentais e espirituais. O profissional deve prestar uma assistência em que a família possa sentir-se contemplada em seus anseios de que a criança não sofre (33).
Nos artigos E2, E8, E9, E20 e E21, o cuidar de crianças oncológicas é um desafio, o profissional de enfermagem deve integrar a criança e a família nos cuidados. (1, 29, 30, 34, 35) A família passa por todas as fases do processo morte e morrer e pode ajudar no enfrentamento da criança (36).
Algumas crianças em cuidados paliativos, se as condições clínicas permitirem, recebem alta hospitalar para aproveitar o tempo que lhe resta com o que lhe é significativo. A enfermagem deve educar e apoiar os familiares, incentivando-os a realizarem os cuidados no hospital, e quando estiverem no seu domicílio. Isso reforça o potencial educativo da enfermagem. (37)
Os artigos E2 e E10, mencionam que o cuidado deve abranger tanto cuidados técnicos, medicações e aparelhos, quanto acolhimento, escuta, interação com a criança e sua família e, comunicação efetiva (1,12).
Os artigos E2, E7, E10, E16 e E21, discorrem sobre a comunicação efetiva ajuda no medo em certos procedimentos, pois as dúvidas são sanadas e o profissional passa a entender melhor as vontades da criança. Há a necessidade de uma educação continuada para habilitar o profissional a realizar uma comunicação efetiva (1,12,18,19,35). A escassez de capacitação dos Enfermeiros na área oncológica, vem desde a graduação. A oncologia é uma área específica, que na maioria das vezes, não faz parte do currículo para a formação (19).

Conclusões

A maioria dos estudos encontrados na pesquisa foram publicados em língua portuguesa, este dado converge com as origens das publicações, que a maioria delas são originárias do Brasil.
Devido a temática abordada nesta pesquisa, a maioria dos estudos incluídos foram de natureza qualitativa.
Os estudos apresentaram três temáticas principais, as quais trataram dos sentimentos e reações vivenciadas pela equipe de enfermagem, das interações entre equipe de enfermagem, criança e família e família e das percepções das práticas de enfermagem frente a criança com câncer hospitalizada, sendo esta última trazida na maioria dos artigos.
As pesquisas analisadas mostram a importância da equipe de Enfermagem no cuidar da criança oncológica hospitalizada. Destacou-se que o Enfermeiro ao realizar os cuidados, oferece conforto, suporte emocional e atenção às manifestações de dor. Ressalta-se também a inclusão da família no processo de cuidado dos pacientes.
Entretanto, os cuidados de enfermagem em oncologia pediátrica podem trazer consequências psicossociais para o profissional, pelo envolvimento emocional com os pacientes, por tais motivos, pesquisas de cunho qualitativo são essenciais para identificar como tem sido a experiência subjetiva dos profissionais que trabalham com este público.

Financiamento

Nenhum.

Conflito de interesses

Nenhum.

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