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OCTUBRE 2015 N° 4 Volumen 5

Diálogo sobre a construção de um mapa conceitual como recurso para aprendizagem: relato de experiência

Sección: Originales

Cómo citar este artículo

De Araújo Melo L, Valesca de Melo Bezerra M, Araújo Melo L, Alves Martins CM, da Silva Correia M, Santos de Albuquerque R. Diálogo sobre a construção de um mapa conceitual como recurso para aprendizagem: relato de experiencia. Rev. iberoam. Educ. investi. Enferm. 2015; 5(4):50-8.

Autores

1 Leiliandry de Araújo Melo, 2 Morgana Valesca de Melo Bezerra, 3 Leylane de Araújo Melo, 4 Cristiane Maria Alves Martins, 5 Marinho da Silva Correia, 6 Rosana Santos de Albuquerque

1 Graduanda do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL). Maceió, Alagoas, Brasil.
2 Graduanda do Curso de Enfermagem da UNCISAL
3 Enfermeira da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar e da Educação Permanente da Unidade de Pronto Atendimento de Especialidades. Caruaru, Pernambuco, Brasil.
4 Enfermeira. Mestre em Saúde Pública. Docente do Curso de Enfermagem UNCISAL.
5 Graduando do Curso de Enfermagem da UNCISAL.
6 Graduanda do Curso de Enfermagem da UNCISAL Maceió, Alagoas, Brasil.

Contacto:

Email: leiliandrymelo@hotmail.com

Resumen

Objetivo: descrever a experiência de discentes sobre a construção de um mapa conceitual como recurso para aprendizagem.
Metodologia e intervenções: trata-se de um relato de experiência de acadêmicos de Enfermagem da Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas - UNCISAL (Brasil) durante atividade realizada em uma disciplina da matriz curricular. Foi lançada uma questão sobre um tema e para respondê-la era necessário construir um mapa conceitual.
Resultados: o grupo encontrou alguns obstáculos como imaturidade e tempo curto para desenvolver a reflexão crítica. Porém, conseguiram estabelecer relação com conhecimento prévio ao mesmo tempo em que romperam com os velhos conceitos, desenvolvendo o pensamento crítico. Além disso, a construção do mapa fez a autonomia e o coletivo se relacionarem, fundamental para o contexto profissional.
Discussão: a experiência possibilitou aos universitários, em processo de aprendizado, o reconhecimento da importância dos mapas conceituais em sua formação, já que sua utilização é marcada pela autoria, autonomia e corresponsabilidade na forma de aprender. Tal prática torna o indivíduo mais participativo e reflexivo, enriquecendo o processo ensino-aprendizagem.
Conclusão: este estudo mostrou que os discentes, apesar de imaturos com os novos recursos propostos pelas metodologias ativas, consideram o mapa conceitual como um facilitador da meta-aprendizagem, proporcionando ao aprendiz habilidade e autonomia para construção de seus próprios conceitos.

Palabras clave:

aprendizagem baseada em problemas ; metodología ; educação em enfermagem

Title:

Discussion on the development of a conceptual map as a learning tool: an experience report

Abstract:

Purpose: to describe the experience of students on the creation of a conceptual map as a learning tool.
Methods and interventions: a narrative report by nursing students at Health Sciences University of Alagoas - UNCISAL during their activity included in the curriculum. A question was posed, and a conceptual map was needed to answer it.
Results: the group found some barriers including lack of maturity or time limitations to develop critical thinking. However, relationships with previous knowledge were established, while existing ones with old concepts were abandoned, and critical thinking was developed. Furthermore, map development made autonomy and collectivity become a key element in a professional setting.
Discussion: the reported experience allowed students to recognize the learning importance of conceptual maps during their training process, because their use involves authorship, autonomy and responsibility all along the learning pathway. Such an experience makes the students become more contributing and thoughtful with teaching-learning processes being enhanced.
Conclusion: the present study showed that although students are not familiar with the new features of active methods, they consider conceptual map to help meta-learning with capacities and autonomy being useful to build their own concepts.

Keywords:

problem-based learning; methods; Nursing education

Portugues

Título:

Diálogo sobre la construcción de un mapa conceptual como recurso para el aprendizaje: relato de experiencia

Resumo:

Objetivo: describir la experiencia de los estudiantes sobre la construcción de un mapa conceptual como un recurso para el aprendizaje.
Metodología e intervenciones: es un relato de los estudiantes de enfermería de la Universidad de Ciencias de la Salud de Alagoas -UNCISAL (Brasil) durante la actividad realizada en un plan de estudios de la disciplina. Se lanzó una pregunta sobre un tema y para contestar era necesario construir un mapa conceptual.
Resultados: el grupo encontró algunos obstáculos como la falta de madurez y escaso tiempo para desarrollar el pensamiento crítico. Sin embargo, logró establecer relaciones con los conocimientos previos mientras que rompió con los viejos conceptos, desarrollando el pensamiento crítico. Además, la construcción del mapa hizo la autonomía y colectividad, fundamental para el contexto profesional.
Discusión: la experiencia permitió a los estudiantes reconocer en el proceso de aprendizaje la importancia de los mapas conceptuales en su formación, ya que su uso está marcado por la autoría, la autonomía y la responsabilidad en el camino del aprendizaje. Esta práctica hace que sean personas más participativas y reflexivas, enriqueciendo el proceso de enseñanza-aprendizaje.
Conclusión: este estudio mostró que los estudiantes, aunque poco habituados con las nuevas características ofrecidas por los métodos activos, consideran el mapa conceptual como facilitador del metaaprendizaje, proporcionando la capacidad de este y la autonomía para construir sus propios conceptos.

Palavras-chave:

aprendizaje basado en problemas; metodología; educación de enfermería

Introdução

No mundo contemporâneo é perceptível o movimento de mudança de paradigma na educação em saúde. Busca-se formar profissionais críticos-criativos, capazes de solucionar problemas e demandas, abandonando o modelo tradicional de memorização e verificação do conteúdo (1).

É fundamental que o sistema educacional forme indivíduos tecnicamente bem preparados, mas é indispensável que eles exerçam valores e condições de formação humana essenciais no mundo do trabalho contemporâneo, tais como conduta ética, criatividade, iniciativa, flexibilidade, comunicação e autonomia (2).

A matriz curricular dos novos cursos, inclusive os da área da saúde, tem incorporado a teoria cognitiva de aprendizagem como recurso para avaliar o conhecimento do aluno (3).

Nessa perspectiva, tem se inserido o uso das metodologias ativas de aprendizagem. Silberman (4), completando o provérbio chinês de Confúcio, descreve bem os princípios da metodologia ativa quando diz que quando se ouve, vê, pergunta ou discute, começa-se a compreender, e quando se faz, se aprende desenvolvendo o conhecimento e habilidade.

Um dos recursos utilizados hoje dentro da proposta de inovação do ensino são os Mapas Conceituais (MC). Foram desenvolvidos por Novak (5) na Universidade de Cornell na década de 70 quando buscava compreender a forma como as crianças entendiam a ciência. Criou o mapa conceitual na tentativa de representar da melhor fomra o conhecimento infantil (5). A proposta de análise dos conceitos infantis sobre a ciência se baseou na teoria cognitiva da aprendizagem de Ausubel (6) que diz: a aquisição de novas informações se dá mediante esforço deliberado por parte do aprendiz para ancorar a informação nova com conceitos ou proposições relevantes presentes na estrutura cognitiva do aluno.

Segundo Novak e Cañas (5), conceito é aquilo que se mostra regular em um evento ou objeto e é designado como rótulo. Na maioria das vezes, é representado por uma ou mais palavra, podendo ser usado símbolos. Enquanto que proposições são dois ou mais conceitos conectados para compor uma afirmação com sentido sobre um objeto ou evento no universo. Podem ser chamadas de unidades semânticas ou de sentidos.

Em um sentido amplo, o MC é uma estratégia que possibilita o desenvolvimento de habilidades de pensamento crítico e uma ferramenta de ensino que requer a capacidade de analisar, sintetizar, ter flexibilidade, curiosidade, participação ativa e experiência. É um diagrama usado para representar conceitos e suas relações entre si. Traduzem o significado e as relações significativas (7).

Para construção de um mapa conceitual é fundamental definir uma questão focal, ou seja, uma pergunta que delimita e especifica o problema sobre o qual o mapa conceitual deve se debruçar e obrigatoriamente responder. Sem a delimitação da pergunta o indivíduo pode se desviar do objetivo e elaborar um mapa que se relacione ao contexto da pergunta, sem necessariamente respondê-la. Fazer perguntas corretas é o primeiro passo para aprender sobre alguma coisa (5).

Definido o domínio da questão, o MC deve compreender a colocação de um conceito, que deve ser geral e inclusivo, no alto de uma página e, abaixo, a disposição progressiva de conceitos intermediários e específicos, dando a noção espacial de diferenciação progressiva desses conceitos. Tanto os conceitos intermediários como os específicos estarão ligados ao conceito geral e também entre si, a partir de conexões intermediadas por proposições ou palavras de ligação que geram esclarecimentos, complexidade de relações, ou seja, explicita o conhecimento e as redes conceituais que o aluno possui (8).

No geral, há três características próprias dos mapas conceituais, são elas: hierarquização - onde os conceitos encontram-se dispostos de acordo com sua ordem de importância, sendo que os mais inclusivos estão na parte superior e ligados a distintos níveis de concretude; seleção -síntese gráfica dos aspectos mais importantes do texto; e impacto visual- unidimensional (alguns conceitos dispostos na vertical), bidimensional (conceitos dispostos na vertical e na horizontal) e tridimensional (conceitos e suas relações em três dimensões) (9).

Para representação dos mapas hoje em dia tem sido utilizado o software CmapTools® desenvolvido pelo Institute for Human and Machine Cognition - IHMC que alia as qualidades dos mapas conceituais com a tecnologia. O programa permite ao usuário fazer links com as fontes, sejam elas fotos, imagens, texto, tabelas ou palavras (10).

Os mapas conceituais estão sendo utilizados como recurso para aprendizagem, pois permitem que o estudante represente o que aprendeu, não importando se está certo ou errado, mas sim se existe evidências de que o aluno aprendeu significativamente o conteúdo (11).

Na Enfermagem, os mapas conceituais são utilizados com objetivos de avaliar o pensamento crítico, promover o pensamento reflexivo, auxiliar na resolução de problemas e síntese de conceitos, possibilitar o planejamento do cuidado, sintetizar e avaliar ações de enfermagem (12).

Nesse contexto, este estudo tem como objetivo descrever a experiência de alunos graduandos de Enfermagem que utilizaram o mapa conceitual como recurso para a aprendizagem em atividade de uma das disciplinas da matriz curricular.

Metodologia e interveções

Trata-se de um relato de experiência de acadêmicos de Enfermagem da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL), durante atividade proposta na disciplina de Metodologia do Ensino no segundo semestre de 2014.

A estrutura curricular do curso de Enfermagem da UNCISAL ressalta a importância da utilização de estratégias de ensino inovadoras visando formar profissionais com um pensamento crítico e reflexivo. Nesse sentido, a disciplina Metodologia do Ensino utilizou durante seu curso apenas recursos inovadores para promover a imersão dos discentes nas temáticas abordadas.

Em uma das atividades dessa disciplina, o facilitador apresentou um exemplo de mapa conceitual que utilizou para construir a estrutura da matéria. Explicou brevemente o objetivo e a construção do recurso, propondo aos alunos que se dividissem em grupos para produzir também um mapa conceitual.

Nesse primeiro momento, foram entregues livros utilizados em quatro cursos técnicos da universidade produzidos com a nova proposta de fazer o aluno pensar. Foi solicitado, então, que fizessem breve análise do material e atentassem para a forma como os problemas foram estruturados: delimitação da grande área do conhecimento, a questão focal a ser debatida e respondida; inclusão dos conceitos e proposições interligados, os cross links. Estes são ligações cruzadas que auxiliam a ver como um conceito se relaciona com outro (5).

Após a leitura desses livros, os discentes conseguiram entender de forma mais objetiva a estruturação de um problema e, só então, foi lançada a questão focal ao redor da qual iria se construir o mapa conceitual: “Como controlamos a transmissão de doenças?”.

Com o tema delimitado, os estudantes iniciaram a construção dos conceitos a partir da análise de artigos científicos que tratavam do tema. Elencaram os rótulos que se mostraram regular ao redor do objeto de estudo e definiram os conceitos e proposições a serem utilizados no mapa conceitual. A partir daí, construiu-se um esboço deste em uma folha de papel, incluindo os conceitos dentro de quadros e utilizando setas, uni ou bidirecionais, para indicar as relações existentes entre eles.
Por fim, o esboço foi materializado no software CmapTools® em sua versão 5.03, após dowloand realizado na internet. Com o mapa finalizado, o grupo apresentou reproduzindo-o através de data show para toda a turma.

O conteúdo deste artigo não foi submetido ao parecer de um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), pois de acordo com a resolução CNS/MS 196/96 e suas complementares, relatos de experiências dispensam quaisquer avaliações por se tratar de depoimentos pessoais dos autores.

Resultados

No momento da apresentação do novo recurso de ensino os estudantes se mostraram confusos. Por ser uma nova proposta, o estranho pareceu difícil: interligar conceitos e proposições os fez expressarem que compor um MC seria uma atividade de difícil execução. Na discussão com o facilitador, porém, essa ideia foi se diluindo.

Na etapa de leitura do material de apoio, os discentes começaram a desmistificar a ideia que tinham sobre metodologia ativa. Começaram a enxergar a possibilidade de aprender a aprender, percebendo que a maneira como vinham estudando se tornavam apenas um depósito de informações, sem pensamento crítico e reflexivo. Nesse sentido, a educação no mundo contemporâneo deve buscar desenvolver um discente capaz de autogerenciar e autogovernar a própria formação (13).

Com a leitura do material, os acadêmicos conseguiram organizar as ideias das etapas da construção de um mapa conceitual. Os componentes do grupo demonstraram entender o pressuposto básico da estruturação de um mapa de conceitos, onde se inicia pelo mais geral e, a partir dele, desdobraram os outros conceitos, estabelecendo as relações entre eles numa sequência, ordenada, lógica e previsível, procurando deixar o mapa o mais autossuficiente possível (Figura 1).

Na etapa da construção propriamente dita, após receberem a questão focal, foram questionados e desafiados pelo facilitador. Tiveram, então, que buscar respostas o que os induziu a discutir e refletir. Dessa forma, os discentes edificam e percebem que o seu saber dependem do autoestudo desenvolvido da aprendizagem ativa, da iniciativa de buscar respostas, o que torna o conhecimento mais sólido e duradouro (14).

A participação do facilitador foi discreta. Como já citado, baseou-se em esclarecer dúvidas sobre o recurso e lançar questionamentos sobre o tema para incentivar o grupo. No contexto da metodologia ativa, o professor é tido como facilitador por este motivo: não se envolve diretamente na produção, não responde as perguntas dos alunos de como fazer, por qual caminho seguir, mas facilita o processo de construção, direcionando e orientando a busca do próprio conhecimento (14).

Discussão

Os métodos inovadores, como o mapa conceitual, promovem uma prática pedagógica que vai além do limite técnico, alcança a ação-reflexão-ação (13).

Durante a atividade, porém, o grupo percebeu a sua imaturidade para trabalhar com a nova ferramenta, formando-se um obstáculo para aprendizagem. O fato de estarem acostumados a receber passivamente o conhecimento dificultou a formulação dos conceitos. Entretanto, com a nova abordagem, os estudantes estão deixando de serem visto como um simples “recipiente” a ser preenchido e passam a ser considerados como uma trama de sistema de memórias interligado (5).
Outro fato que dificultou a atividade foi o pouco tempo que o grupo teve para desenvolver o pensamento crítico necessário. Entre a apresentação da proposta e a entrega do resultado o grupo teve pouco mais que uma tarde. Para atingir um nível de abstração que permita a formulação crítica, é fundamental um processo mais longo para aperfeiçoamento da reflexão crítica ao ponto de atingir a construção do conhecimento (15).

Dentro desse contexto de dificuldades, o mapa produzido acabou por ter uma falha e que só com a discussão durante apresentação foi que o grupo percebeu: as relações entre os conceitos foram feitas apenas por meio de setas, sem utilizar preposições ou verbos para indicar ação entre eles. A utilização desses conectivos é um dos elementos constitutivos das proposições e que confere significado à unidade dos MC. Esse, inclusive, é um aspecto que diferencia o mapa conceitual do mapa mental (15).

Porém, é de fundamental importância salientar que não existe um modelo de mapa conceitual que seja considerado mais correto ou mais indicado que o outro, visto que estão disponíveis diferentes tipos, da mais variada distribuição gráfica (15). Neste estudo o grupo utilizou o mapa conceitual hierárquico, uma vez que esse é adequado para estruturar o conhecimento que esta sendo construído pelo aprendiz. Funciona como um facilitador da meta-aprendizagem onde o estudante aprende aprendendo (16).

Um dos aspectos fundamentais das metodologias ativas é valorizar o conhecimento prévio que todos têm sobre aquele determinado assunto. De uma forma ou de outra, os estudantes relacionaram conceitos aprendidos ao longo de suas vidas. Isso foi evidenciado quando o grupo começou a responder a pergunta proposta antes mesmo das pesquisas nos artigos. Ou seja, tinham sim algum conceito formado, independente de estar certo ou errado.

A construção dos MCs estabelece relações entre o conhecimento novo com os conceitos novos apreendidos. É um importante sinalizador do processo de aprendizagem, se mostrando com estratégia para acompanhar o aluno ao longo de um curso ou de uma disciplina (15).

Há um processo de continuidade do conhecimento quando o novo se apoia em estruturas cognitivas já existentes. Ao mesmo tempo, entretanto, há uma ruptura do conteúdo quando surgem os novos desafios, exigindo que o aprendiz ultrapasse seus conceitos anteriores e analise de forma crítica a situação (13).

Durante a construção do recurso, algumas características se sobressaíram, como a autonomia que tinham para desenvolver os conceitos, visto que independiam do professor/facilitador; a ajuda mútua, o trabalho em equipe, também se destacou durante a construção da ferramenta, pois o pensamento de um componente acabava se somando ao do outro e as discussões entre eles instigaram a pesquisa para ratificar ou não o conceito que defendiam.

Este é o grande desafio na modernidade: estabelecer relação íntima da autonomia com o coletivo. É a educação que deve gerar esta visão de interdependência e possibilitar a mudança social, expandindo a consciência individual e coletiva (13). Liberdade na atuação e flexibilidade de escolhas, além do trabalho em equipe articulado e fecundo são algumas características consideradas importantes para os novos profissionais que se formam (14).

Durante a experiência, os alunos reportaram ainda a possibilidade de utilizar o recurso do mapa conceitual em outras atividades, como durante o estudo para uma prova ou elaboração de uma pesquisa. Perceberam que estruturar conceitos facilita o aprendizado e podem organizar etapas de um processo sem que nenhuma se perca no caminho.

Dessa forma, a aprendizagem do software CmapTools® ultrapassa as possibilidades educativas, os MCs podem ser utilizados na organização das ideias de diferentes disciplinas e de pesquisas (15)
No ensino da enfermagem, a estratégia mapa conceitual viabiliza o desenvolvimento do pensamento crítico com base no raciocínio dedutivo (17). Através do pensamento crítico, observou-se que a construção de mapas conceituais instigou no grupo de graduandos de enfermagem a capacidade de analisar, a necessidade de buscar informações e desenvolver o raciocínio lógico para compreender a relação entre os conceitos e a sequência coerente da área abordada, demonstrando a habilidade de sintetizar a elucidação de conceitos e seu relacionamento. Além disso, estimulou a criatividade para montar o mapa e a flexibilidade para aceitar opiniões e conceitos diferentes.

Por ser uma ferramenta útil no ensino da enfermagem, o mapa conceitual pode facilitar a organização das ideias, uma vez que liga os conceitos de forma hierarquizada, oportuniza a avaliação de conceitos amplos e específicos e, também, exige reflexão e relacionamento coerente de situações (18).

Na Enfermagem as experiências mostram que as metodologias ativas são aplicadas isoladamente em disciplinas ou atividades de ensino e assistência (19). Para o grupo deste estudo, só se fazia uso de recursos assim nesta disciplina que propôs a construção do MC e em raras atividades dentro de outras matérias da grade curricular. Essas quase sempre se limitavam a Metodologia da Problematização.

Apesar disso, no Brasil, os docentes-enfermeiros são os que mais se dedicam na aplicação de inovações pedagógicas. As maiores dificuldades são falta de apoio das esferas governamentais e instituições tradicionais que inviabilizam mudanças mais radicais na educação, obrigando o professor a se adaptar a metodologia já utilizada ou restringindo os recursos para que ele utilize a metodologia desejada (19).

Os MCs a princípio podem parecer um arranjo de palavras hierarquizadas, mas quando os conceitos representados por palavras são organizados com atenção e sentido, fazendo uso de conectivos de ligação, o recurso passa a ser visto de forma complexa e ao mesmo tempo autoexplicativa, possuindo significados profundos. A produção dos mapas de conceitos auxiliam os alunos a aprenderem e ajudam também pesquisadores a elaborar novos conhecimentos, administradores a estruturarem melhor suas empresas e a professores avaliarem melhor o aprendizado (5).

Conclusão 

Pode-se afirmar que a estratégia mapa conceitual foi sendo incorporados pelos graduandos, atores deste relato, na medida em que eles passaram a perceber a importância desse recurso na construção do conhecimento e no pensar criticamente. Percebe-se uma mudança de pensamento sobre a utilização de metodologia ativas: os discentes enxergam a possibilidade de se tornarem autores dos seus próprios conceitos, se afastando da ideia tradicional de memorização dos conteúdos.

A presença de um facilitador foi fundamental para mediar a construção do recurso, entretanto a imaturidade se mostrou como obstáculo. Não há, contudo, a definição de certo e errado, o importante é apreender o velho conceito ao novo, promovendo uma reflexão crítica acerca da questão focal e dos conceitos.

Observou-se no mapa elaborado que todos os conceitos se relacionam com a área estudada, onde os aspectos são explorados desde a sua origem, sendo essa uma forma de ampliar a aprendizagem. Além disso, desenvolveu a autonomia e atividade em grupo dos indivíduos ao passo que os instigava a discutir.

Tais resultados justificam o uso dos mapas conceituais para auxiliar no processo de aprendizagem. Nessa concepção, é possível pensar nos mapas conceituais como estratégia da meta-aprendizagem que pode ser utilizada na educação, bem como em reflexões na prática clínica na área da enfermagem.

Os mapas conceituais encarceram uma grande quantidade de conteúdos de forma suave e prática.

O aprendiz não precisa se debruçar sobre inúmeros artigos a cada vez que vai estudar. O recurso delimita todos os conceitos necessários para a compreensão do tema de forma estruturada, organizada e inter-relacionada.

Bibliografía

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